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"As perguntas que faço nesse momento são as seguintes: o que conta quando se analisa uma obra literária de um autor iniciante? Existem no mercado bons lançamentos desses "autores eleitos"? Ora, a resposta é muito simples: NÃO, principalmente porque não foram editados tantos livros com essas "novas cabeças". Mas deveriam existir, levando-se em conta o expressivo número de autores sem publicação no Brasil. Isso tem demonstrado que o nosso país, no entanto, ainda vive décadas de atraso quando o assunto é "renovação". O preconceito contra os novos autores, que era encarado há alguns anos como algo sem importância, passou a ser velado, assim como o preconceito racial e a orientação sexual os são. Se as próprias editoras ainda vêem os novos autores com restrição, essas vozes tendem a ser abafadas. Principalmente quando se trata de escritores iniciantes, que têm de enfrentar uma verdadeira via crucis pelas editoras que, invariavelmente, resultam em espera inglória, frustração e mais um trabalho engavetado. E para onde iria a nossa literatura? Sem oportunidade para publicar seus escritos num livro, seria a morte súbita da nossa cultura.
Por isso, a CBJE acaba de lançar um livro surpreendente, aflito e instigante. Agora, caro leitor, nós, os autores, precisamos de você para a divulgação, já que fomos "premiados" com a edição do nosso livro, pois nas poucas e raríssimas vezes em que é feito uma resenha com linhas contadas em jornais e/ou revistas, o leitor enfrenta um outro problema: onde encontrar o livro. A cadeia de preconceitos contra os escritores novos começa com os chamados "intelectuais", que não querem conhecer o trabalho de autores que não têm seus nomes na lista da Veja, e termina no livreiro, que se recusa a comprar e até mesmo exibir os livros em suas estantes. Sem contar o comportamento da crítica literária deste país, que ignora solenemente livros de autores iniciantes, contribuindo para que a obra seja "escondida" dos leitores, que nem mesmo ficam sabendo da existência de um livro que poderia ser do interesse de todos. Por isso, precisamos da divulgação através de você leitor.
Os meus textos que compõem esses "Diálogos Inesperados Sobre Dificuldades Domadas" (sou professor de literatura por necessidade, poeta por paixão; e, ainda, curso jornalismo por vocação) foram concebidos por acreditar que ser escritor nesse país está se tornando algo muito mais complicado que nos tempos do Álvares de Azevedo, quando a expectativa de vida não passava dos 30 anos; e ainda digo que não existem mais dedos em minhas mãos capazes contar a quantidade de concursos literários que venho participando, apesar de já ter conquistado o 1º Lugar no I Concurso de Literatura Virtual, Classificado no II Prêmio da Livraria Asabeça 2003, sem contar com as dezenas de trabalhos que se encontram em processo de seleção em concursos realizados no país e exterior; e os textos de Anna Carvalho (também professora de literatura, 2º Lugar no Concurso Literário Falando de Deus, autora de "Desabafo de Uma Mulher Pós-Moderna" (Litteris) e "A Arte de Poetar Devaneios" (no prelo), fazem parte de uma ousadia e de uma parceira, que se aglomera por todas as 26 histórias que compõem essas ficções letais, por uma lente de literatura de gênero meio ressentida com essa realidade que reduz a verve humana em legenda de um filme Classe B, e nada mais.
Textos bastante rigorosos como "A Decadência das Máscaras"; afiados como "Por Dentro da Perfeição"; feministas em "Memórias Póstumas de um Matrimônio"; panfletários em "A Pasta Quebrada"; eróticos em "A Mulher do Melhor Amigo"; intimistas em "Amar Sozinho é o Pior dos Pecados" e de lógica interna muito bem elaborada, como é o caso de "Interrupções". É drama, comédia, verdade e farsa. Chulo e erudito, dependendo da página, do parágrafo, da frase, da palavra que se leia. E, nessa aptidão em escrever o escárnio dos seres (humanos), temos nossos neurônios incompatíveis aos refrões monossilábicos do pagode pós-moderno, e foi decisiva e efetiva na busca pela inspiração que pairou sobre diversos olhares, e sobre esse admirável objeto de sedução que é o ato solitário de escrever.
Talvez a alta do dólar, nos últimos meses, tenha realmente afetado a variedade e a qualidade dos livros que lemos, e a qualidade das obras que chegam às estantes das livrarias pelo Brasil. E quanto aos milhares de novos autores sem financiamento nem para entrar na Internet para fazer uma pesquisa? Quanto custa o descaso da maioria dessas editoras? Quanto custa a passividade das pessoas? Quanto custa deixar de tentar? Sabemos que, no entanto, algumas editoras, como a CBJE, percebendo que o mercado pode ser promissor, "arriscam-se" na publicação de "novos autores" com suas "novas idéias". Sabemos que esse comportamento do mercado editorial representa as primeiras tentativas de engatinhar, mas ainda é necessário mais mudanças e muito mais ousadia na rede de edição, divulgação, venda e, principalmente, na descoberta de novos talentos.
Como escritores, estamos na crista da "clandestinidade literária e independente", e fomos dominados por algum tipo de texto mais acelerado e energético. Por isso, ter escrito os "Diálogos Inesperados Sobre Dificuldades Domadas" não foi exatamente como fazer versos em parágrafos cronológicos, foi relatar todo um processo solitário através das palavras, indo na contramão das chamadas tendências. A literatura não está perdida no Brasil, pois ainda podemos encontrar autores com idéias, espiritualidade, paciência e pesquisa, apesar de alguns homens, atualmente, parecem uma espécie de robôs com seus peitos vazios. A crise na literatura é a crise do próprio homem, mas ninguém parece querer patrocinar cultura. Ninguém valoriza o pensar. Ninguém quer mais colocar o logotipo de sua empresa numa coisa tão "utópica" como literatura. A única coisa que esperam é que alguém seja crucificado por um descuido.
Mesmo sendo professores, o que é considerado como uma porta (meio) aberta para os novos autores, costumamos amargar meses e meses de expectativas para a publicação de algum trabalho. E, normalmente, quando recebemos alguma resposta, ela vem com uma tarja escrita: "não seria lucrativo para a editora bancar a sua publicação, na medida em que os livreiros se recusam a comprar livros de autores desconhecidos". Sem contar com o comportamento da crítica literária do país, que simplesmente ignora solenemente livros de autores iniciantes, contribuindo para que a obra seja "escondida" dos futuros leitores. Dessa forma, numa parceria, a CBJE acaba de dar um passo surpreendente rumo à quebra desses tabus. Agora, leia o livro..."
Elenilson Nascimento
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