Antologia
de Poetas Brasileiros Contemporâneos - Vol. 4

Amor e cor
Dourados sóis
de fantásticas ilusões,
Verdes matas de agradáveis recordações,
Brancas gaivotas de plena reconciliação,
Pretos pássaros de suaves decisões,
Amarelos do trigo de falsas sensações,
Multi-cores de famosas inspirações,
Cores de violeta de tristes tardes apaixonantes,
Arco-íris conquistado por nós dá-nos a sensação
de viajarmos entre espaços impossíveis
e de navegarmos por mares irreversíveis,
em barcos imaginários,
onde somente a paz seja a bandeira erguida
de mastros abençoados,
de seres unidos por ideais milagrosos.
Trilhões de cores,
milhões de células se juntando
para a formação de um só tom, o tom do amor.
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Antologia de Poetas
Brasileiros Contemporâneos - Vol. 5

Coração
partido...
Um coração
partido é como uma lágrima de orvalho
querendo respingar-se em uma folhinha verde,
buscando um abraço caloroso
É como um mar raivoso quebrando as suas ondas
e deixando as mesmas em pedacinhos isolados
na imensidão do seu azul infindável
É como o uivo incessante de um lobo faminto
em meio à floresta com seu verde exuberante
Um coração partido retrata as cores de um arco-íris
se embaralhando na visão ofuscada de um olhar perdido
É a última gota pingando de uma vela
que de mágica tornou-se apenas um pedaço de cera apagado
É a ilusão de um dia ensolarado
transformado em névoa perdida
em meio ‘a uma tempestade cinzenta
Um coração partido refugia-se no acalento
de uma mente entristecida buscando um sol
para lhe dar o brilho natural da vida.
Um brilho que levará um tempo para ser reaquecido
novamente pela camada de amor
que poderá ser refeita por esse mesmo coração partido
que um dia acordará e será coberto pela maciez de um olhar...
Pela doçura de um novo amor despertando o seu prazer em amar...
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Antologia de Poetas
Brasileiros Contemporâneos - Vol. 6

Tempo
Não seria longínquo
para amar,
Nem cedo para sonhar,
Nem tão distante para lucubrar,
É apenas tempo para viver o saboroso cor-de-rosa
do algodão-doce.
Não seria correto
para chorar,
Nem incerto para sorrir,
Nem tão pouco perdido para desaparecer,
É apenas tempo para viver o intenso verde do olhar.
Não seria noite para
dormir,
Nem dia para despertar,
Nem tão somente chuva para irrigar,
É apenas tempo para viver o divino amarelo do sol.
Não seria
premeditado para comemorar,
Nem injusto brindar,
Nem tão por completo ignorar,
É apenas tempo para viver o sabor do tempo.
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Antologia de Poetas
Brasileiros Contemporâneos - Vol. 7

Convite
Fica comigo,
Nesse balão dourado
Que espelha o meu desejo
Sem receios da dor.
Dança juntinho,
A valsa do querer
Pisa no meu pé
Desprovido de rancor.
Roda meu corpo,
Pelos campos de alfazemas
Respingando a seiva aquosa.
Abraça o meu viver,
Com as tintas da paixão
Pincelando a união
Com cores pueris.
Protege a minha solidão,
Da chuva de prata
Com o majestoso luar.
Vem, flutua comigo,
No embalar dos sonhos
Na vontade de voar
Nas asas
Do doce fascínio de amar.
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Antologia de Poetas
Brasileiros Contemporâneos - Vol. 8

Vivo...
Vivo assim,
No borbulhar
Dos sais de banho
Com múltiplas colorações
Que transbordam em abundância
Meus desejos de libertação.
Vivo assim constantemente,
Nas ondas iradas
De movimentos côncavos
Que são passageiras
Mas indubitavelmente agitam
O meu coração.
Vivo quase sempre assim,
Na corda bamba
Do palco
Com redes de proteção
Que raramente funcionam
Como na minha imaginação.
Vivo certeiramente assim,
No degustar a diferença
Da evaporação
Entre o álcool e a água
Resultando em lágrimas
A minha inspiração.
Não vivo
sem viver,
As fagulhas
Das cinzas
Do chamuscar ofegante
Reacendido pela crença
Em despertar o saber.
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Antologia de Poetas
Brasileiros Contemporâneos - Vol. 9

Canção
Canto suavemente
A canção do amor
Sublimada
Pelo toque musical
Da união
Nas notas silábicas
Encontro
Palavras que
Desabam
Da harpa dourada.
Revestindo meu coração
Com a harmonia
De seu tom
Aveludado
Minha mente
Perpetua-se
Nas diferentes escalas
De
Seu horizonte
Protetor
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Antologia de Poetas
Brasileiros Contemporâneos - Vol. 10

Armadilha
Sinto-me presa
No emaranhado da teia
De tecido emborrachado
Que abraça o meu ser.
Sugando
Toda a minha morada no lago virtuoso.
Com tentáculos famintos
Tenta eliminar o meu saber.
Cilada em tom de brincadeira
Esfacelou
Meu coração em camadas sangrentas.
As bordas pontiagudas
Revelam o possível
Encontro da liberdade.
Nos fios cortantes
Esbravejo
De compaixão.
Soluço pausadamente
Com a degustação
Do sal
Molhando os meus lábios
De ingratidão.
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Antologia de Poetas
Brasileiros Contemporâneos - Vol. 13

Amor
Bordo o seu rosto,
Em lençóis
Emaranhados
Pelo brilho
De uma saudade.
Sentida,
Sem rancor.
Apenas,
Manchada pela
Esperança
Da renovação
De um beijo.
Envolto,
Em cenas
Entrelaçadas
No olhar cristalino
Da pintura de um anjo
Que esvoaça
Sua singularidade
Sem deixar o amarelo,
Do passado
Desfazer
A perfeita
Coloração
Do presente com o futuro.
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Antologia de Poetas
Brasileiros Contemporâneos - Vol. 15

Borboleta
Uma borboleta pousou no meio da solidão,
Na cor amarela e preta,
Com suas asas polidas pelo tempo infinito,
Afagou o meu cabelo despenteado pelo cansaço.
Borrifando uma fumaça que de tão espessa,
Rastreou a aspereza de meu coração,
Deixando-a próxima...
Ao pensamento retraído...
Transformando a melancolia,
Em um despertar empírico,
Degustando os rastros da névoa.
Bateu asas pausadamente,
Entorpecida pelas retinas,
Umedecidas de papel crepom.
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Antologia de Poetas
Brasileiros Contemporâneos - Vol. 19

Sentimento
Há um vento ondulando
Meu ser
Com conduta matreira
Balança
Meus cabelos
Rumo
À solidão
Deixando
O fio louro-acobreado
Repousar
Na
Formação
De um vendaval
Estilhaçado
Pela
Voltagem
Eletrizante de um raio
Que despertará
O gorjeio
De um sabiá
Iluminado
Pela
Singela
Oferta
De
Uma flor
Respingando
Os crepúsculos
Finais
Da
Dor
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Antologia de Poetas
Brasileiros Contemporâneos - Vol. 22

Fé...
Restam apenas estrelas... Sobreviventes ao relento frio.
Transportam luz ao encontro de fagulhas aromatizadas,
Sambando nas “bolhas” que exalam amor...
Com a luminosidade de sinais psicodélicos, inunda os sonhos
nas trevas da solidão.
Sinais evasivos
de vida se aquecem...
Os olhos abrem e se fecham ininterruptamente,
Sem perdão os lábios sorriem.
Com a luz oriunda da magia intempestiva.
Corpos sedentos
se beijam nesse cenário,
Embalados na mescla de sentimentos ambíguos.
Surgem as cenas do outrora que vagam nas mentes...
Zombando dos corpos em ebulição.
Entre a tempestade
da paixão e a fome na descrença,
As mãos se unem fazendo um contorno em volta das estrelas.
Entrelaçando o prateado com a sabedoria em viver o presente...
No saboreio da cascata da felicidade.
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Livro de Ouro da
Poesia Brasileira - Edição 2006

Coração
solitário
Marcho rumo ao pôr-do-sol,
Aquecendo um coração solitário
Com cores vibrantes em
Raios múltiplos
De
Faíscas
Entorpecentes
Que exalam
O amor almejado
Com as pontas
De um beijo oculto
Que
Se soltam
Unindo-se ao coração peregrino
Exausto de viagens sombrias
Repousa no sol
Destemido de rancor.
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