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José
Rafael Monteiro Pessoa
Recife
/ PE
Para
filhos e netos: meu passado como um presente
Um lugar simples de gente "Severina". Severinos de nome,
severinos de vida, severinos sem dentes, severinos sem eruditas culturas,
mas severinos de evoluídas mentes.
Severinos, Joãos, Josés, Antonios, Franciscos e Marias,
gente humilde, gente feliz, gente minha.
Como inúmeras cidadezinhas de interior deste vasto país,
uma sempre será especial para alguém. Terra dos seus
antepassados, pátria-mãe dos seus valores, rica em tradições,
memórias e sabores. Independente de sua real naturalidade,
seu universo particular pode ser vasto, seu coração
pode ser imenso na incansável busca por sua identidade. Talvez
a maior dificuldade de um brasileiro seja a de definir qual a sua
verdadeira identidade. Ser fruto de uma nação de diferentes
culturas torna a escolha de uma única forma de representação
psico-cultural uma tarefa tão árdua quanto à
representação literária de um amante das letras.
Seus pensamentos muitas vezes expressos em linhas poéticas
de uma pobre rima pobre vira uma prosa fantasiosa, objetivando melhor
expressar o que vem em sua mente quando olha paro os lados ou para
dentro de seus sentimentos e pensa na sua gente.
Assim é para um humilde conterrâneo de João Cabral
de Mello Neto ver após tantos anos gente sofrendo, gente suando
com enxadas na mão, sem grandes perspectivas de futuro, mas
ostentando no rosto muitas vezes um largo sorriso e uma felicidade
imensa de um ingênuo coração. Isto não
vem a ser a realidade de um habitante-cidadão nascido e criado
no seio de uma grande metrópole que insistentemente grita ao
mundo o que vem a ser civilização.
Civilizar: O que realmente essa palavra arrogantemente quer expressar?
Será que essa resposta é realmente fundamental?
Aceito o ponto de vista do "não", haja vista a representatividade
de uma palavra tão limitante se apresentar de maneira tão
ampla nesta situação.
Minha gente é bem mais que minha rua. Minha gente vai muito
além dos umbrais de Recife e Olinda e suas naturais particularidades.
Minha gente pode chegar no último dia, pois ela revirou o baú,
percorreu inúmeros lugares e desembarcou na pequena cidade
de Jacaraú. IDH pobre com um sem-números de desigualdades,
gente sofredora, gente que ri e que chora, mas que acima de tudo mantém
a esperança no coração e na mente, deixando-nos
felizes e orgulhos em dizer para Pernambuco, Paraíba, Brasil
e todo o mundo: ESSA SIM É MINHA GENTE!
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