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Fabi
Mariano
Rio
de Janeiro / RJ
Amor,
traz a toalha?
A pior coisa de morar sozinha é quando você sai do banho
e percebe que esqueceu de pegar a toalha. Definitivamente isso é
horrível - principalmente no inverno.
Mas pensando melhor, não é pior do que quando você
já se deitou e o telefone resolve tocar e você não
tem pra quem gritar: "Atendeeee". Aliás, quando você
mora sozinha o elevador SEMPRE quebra quando você resolve fazer
compras e você tem que subir 6 andares com aquele monte de pacotes,
sozinha! Aí você ao menos coloca um sorrisinho no canto
do rosto e pensa: "ao menos não vou precisar malhar hoje".
Mas isso acontece raramente, porque claro, quem mora sozinha, sempre
chega em casa e não tem NADA pra comer e parece que a fome
aumenta só porque você não tem ninguém
para reclamar que não tem nada para comer. Acaba pedindo uma
pizza e sabe aquela subida pelas escadas com as compras do mercado?
Pois é, já se foram na pizza que você pediu porque
não tinha nada para comer na SUA casa. E você fica se
alimentando de pizza reesquentada durante toda a semana, porque claro,
uma pizza pra uma pessoa só, rende! E SEMPRE tem uma insatisfação
quando você vai pegar o último pedaço do chocolate
(TPM é fogo) e ele não está lá! Você
não pode ter a breve esperança, raiva, esvaziamento
de culpa de que ALGUÉM comeu seu último pedaço,
você mora sozinha! E apesar de muito esperto o seu cachorro
ainda não sabe abrir armários.
Dormir sempre com aquele "Boa noite" frio do William Bonner
não me tem feito muito bem (aliás, vocês já
repararam como o William Bonner é frio? Ele ao menos deveria
me oferecer um abraço de vez em quando, tantos anos de intimidade).
Tá, tá, eu confesso! Morar sozinha e fazer com que a
televisão seja sua companhia é um estágio grave
de solidão, se bem que eu duvido que algum de vocês já
não tenha dado boa noite pro William, e para Fátima
então? Certeza! E qual a graça que tem ganhar um copo
da promoção do Mac Donald's (mais cinco subidas de compras
pela escada, me lembrem disso por favor) se não tem ninguém
pra brigar porque quer estrear o maldito copo que é tão
igual a tantos outros? Não sei porque, mas de repente aquela
frase que eu tanto repudiava na pré-adolescência começa
a fazer tanto sentido: "Até que a morte nos separe..."
Mesmo com todos os copos espalhados pela casa e sem ninguém
para me encher o saco por isso, sem precisar dar satisfação
da hora que chego e saio e se não estou muito a fim de varrer
a casa hoje, eu cantarolo infeliz por ninguém reclamar da desafinação:
"vem de mansinho a vida e me diz, é impossível
ser feliz sozinho..."
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