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Isabel
Cristina Silva Vargas
Pelotas
/ RS
Entre
beija-flores e bentevis
Gostaria de ser poeta para ter a habilidade ou talento para escrever
poesia, assim poderia dizer de forma poética as belezas de
lugares, de pessoas, da vida. Neste momento gostaria de falar das
coisas especiais do Laranjal. Pelo óbvio, limito-me a descrever
minhas impressões e emoções.
Aqui busquei isolamento voluntário para recolocar-me em ordem.
Recordar, refletir, elaborar, reestruturar e planejar o ano que começa.
Embora a caminhada seja uma atividade que propicia isto, desta vez
me abstive de fazê-la. Optei por uma atividade manual. Faço
algo útil, me distraio, ocupo o tempo disponível, arrumo
o que precisa ser restaurado e enquanto executo a atividade os pensamentos
fluem.
Uma amiga aconselhou-me a ficar a observar a lagoa. Garante que isto
é energizante.
Admirar a lua quando está cheia preenche qualquer vazio. Olhar
a linha do horizonte estabiliza emoções. Sentar nos
bancos do calçadão e ver as crianças brincando
ou a diversidade de tipos que por ali circulam nos faz perceber a
riqueza da diversidade. Pegar um sol à beira da praia, além
de proporcionar uma cor mais saudável, aquece qualquer coração
endurecido. O vento, tão característico do lugar, leva
embora qualquer pensamento ruim.
Poderia citar as opções de gastronomia para todos os
gostos, desde o inigualável crepe até a culinária
estrangeira, porém prefiro passar longe destas maravilhosas
tentações. É preferível não aguçar
o paladar e apurar o ouvido para o canto dos pássaros que me
acordam alegremente toda a manhã.
Em que outro local, tão próximo do centro da cidade,
teria a entrar em minha cozinha um formoso e minúsculo beija-flor
para encantamento de adultos e crianças?
Entre sinamomos, arbustos, rosas, hortências, violetas, hibiscos,
rabos-de-galos, trepadeiras, heras, além de meu cão,
circulam inquietantes gatos pretos, charmosas gatas brancas e coloridas,
além de velhos gatos cinzentos desconfiados e até inoportunos
gambás que na calada da noite fazem inspeção
nos quintais e telhados.
Os mais jovens ao chegar do trabalho relaxam na paz que aqui desfrutam,
respirando a suave brisa do entardecer que espalha o perfume adocicado
do jasmim.
É o Laranjal o oásis que reabastece a cada final de
semana aqueles que circulam na praia em busca de descanso, lazer,
diversão, quer no papo com amigos, na prática de esportes,
na leitura do jornal diário ou de um livro à sombra
das centenárias figueiras cujos braços acolhem a todos
que ali se instalam em busca de proteção. É também
nesta paisagem que jovens enamorados encontram o cenário ideal
para seu romance e onde traçam planos para o futuro.
Neste recanto aprazível - parte da laguna que testemunhou encontros
e desencontros históricos e da qual milhares de pessoas tiram
seu sustento - os mais velhos se estabelecem porque aqui encontram
a tranquilidade e a paz perdida nos grandes centros.
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