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Patrícia
Daiane Rech de Oliveira
Carazinho
/ RS
Salto
alto
Amo salto alto! Refiro-me especificamente ao sentido literal da palavra,
sobretudo aos scarpins, salto agulha. Acho que alongam nossa silhueta
e dão um toque a mais na produção, especialmente
porque nos obrigam a manter o equilíbrio e permanecermos elegantes
quando nos sustentamos sobre eles.
No sentido conotativo, abomino quem sobe no salto para olhar os outros
como seres inferiores. Torna-se ridículo. Não possui
jogo de cintura para se sustentar e age como se fosse superior aos
outros, quer seja por ocupação de cargo hierárquico,
quer seja por possuir alguma especialização a mais em
seu currículo. Isso não engrandece a essência
das pessoas. Sem dúvidas, é uma conquista pessoal, mas
não torna ninguém melhor ou pior.
O que nos torna superiores ou inferiores é a maneira como tratamos
nossos semelhantes. Olhar com desdém a quem pouco se conhece,
subestimar suas competências e habilidades. Isso me faz lembrar
de um email que recebi certa vez sobre uma ilustre personalidade que
figura entre as mais ricas, poderosas e inteligentes do mundo: William
Henry Gates, mais conhecido como Bill Gates - Dono da Microsoft -
a mais conhecida empresa de software do mundo. Atualmente, pode se
dar ao luxo de anunciar sua aposentadoria e retirou-se definitivamente
da Microsoft para se dedicar inteiramente aos seus projetos filantrópicos.
O texto que li sobre Gates, relatava uma de suas palestras pelas universidades...
verídico ou não, seu conteúdo era muito interessante
e, dentre as várias passagens, uma em particular me chamou
a atenção; segundo o texto, Bill teria dito: "Trate
muito bem aquele seu colega 'nerd'. Futuramente, há uma grande
chance de você vir a trabalhar para ele."
Isso me faz pensar sobre a opinião auto-descritiva, pois segundo
sua biografia, ele mesmo era tratado por um rótulo assim, entretanto,
deu a volta por cima e um 'tapa-de-luva-de-pelica' a quem subestimava
sua capacidade. O que torna sua personalidade fascinante, é
o fato de ele não se julgar acima do bem ou do mal - é
um ser humano como outro qualquer, que não deixou a fama e
a fortuna subirem para a cabeça, e manteve-se - como diria
a equipe do Programa Pânico na TV - calçando as sandálias
da humildade.
Apesar de amar o salto agulha dos scarpins, também sou adepta
das chamadas "rasteirinhas". São confortáveis
e nos deixam mais à vontade, sugerindo um visual mais despojado.
Tudo depende da ocasião. No contexto figurado, vejo as rasteririnhas
como as chamadas sandálias da humildade, embora o nome pareça
irônico - passar a "rasteira" é coisa de gente
incompetente e mau caráter. A vida, por si só já
nos obriga a manter o equilíbrio sem scarpins, sandálias,
rasteirinhas ou até mesmo chinelos havaianas.
Não é o hábito que faz o monge, como também
não é a titulação acadêmica ou o
cargo hierárquico que avaliam nossas competências. A
verdadeira habilidade está em saber se equilibrar na corda
bamba dos desafios e sobreviver às articulações
políticas. Podemos perder ou ganhar - e devemos estar preparados
para tudo - mas não podemos perder nossa dignidade. Nesses
casos, o salto alto é altamente recomendável - Perca
ou ganhe - mas mantenha-se equilibrado e altivo!
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