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Elizabeth Maria Chemin Bodanese
Pato Branco / PR

Minha Rua Pedro Ramires de Mello



Caro leitor, já pensou você, sexta-feira à noitinha, pegar a bicicleta, os netos e ir brincar na praça da igrejinha? Principalmente quando a lua é cheia e tudo fica prateado?
Você deve estar pensando que isso é um ato irresponsável devido aos perigos como, assaltos, brigas, violência no trânsito! Mas, na minha cidade ainda é possível, sem medo, passear na rua, na Rua Pedro Ramires de Mello.
Para quem mora em edifício, e bem no alto dele, é bonito ver as pessoas e os acontecimentos da rua lá de cima. Quando a gente desce e pisa na rua que começa na praça principal do lugar, a impressão que fica gravada na mente é de liberdade.
Nessa rua, antigamente, havia dois pavilhões da igreja, nos quais a maior festa da região ocorria todos os anos, era a Festa de São Pedro, Padroeiro desse lugar jovem e promissor. Já foi rua de pinguela para atravessar um rio chamado Ligeiro; rua de chão batido; rua de barro escorregadio nos dias de chuva.
Um dos aprendizados cruciais a todo cidadão que mora em uma cidade é conhecer os detalhes da rua em que mora. E por falar nisso, você conhece bem a sua rua? Sabe o significado do nome por onde passa todos os dias? Conhece os seus vizinhos?
Mas, voltando a minha rua, descobri que foi denominada Pedro Ramires de Mello em homenagem a um pioneiro da minha cidade. Quando aqui nascia uma pequena vila, Vila Nova, esse aventureiro vindo do Sul, investiu em um pequeno armazém. Com o aumento da população que por essas bandas passava, montou um dormitório e logo se tornou o proprietário de dois importantes hotéis.
A evolução acelerada muitas vezes adormece a história dos homens e dos lugares. Isso denota descaso com a própria vida. Digo isso porque o conhecimento pode nos fazer seres melhores.
Hoje, uma Sexta-Feira Santa, na minha rua passou uma procissão. Pessoas carregando Cristo crucificado entoavam canções de amor. À medida que se distanciava, a nostalgia tomou conta de mim. Lembranças fluíram. Os filhos brincando de bicicleta na rua. Os netinhos, Fabrício, Rafael e Gabriel, na inocência de criança, tirando do jardim da calçada uma flor e correndo entregar à vovó. O abraço de chegada e de despedida dos queridos, dos vizinhos, dos amigos...
Depois de tanto tempo alheia ao conhecimento da minha própria rua, posso dizer que ela tem alma, é uma rua que tem muitas histórias para contar. É uma rua amorosa, bem iluminada, com flores amarelas. Rua das mais diferentes gentes, palco da história viva da minha cidade, da minha vida.
Ah! Rua Pedro Ramires de Mello, quantos segredos guarda, caminho de sonhos, ilusões de tantas vidas? Se eu pudesse, todos os dias cantaria a você, a cantiga de roda mais singela que já conheci. Aquela que diz assim: "Se esta rua, se esta rua fosse mesmo minha! Eu mandava, eu mandava ladrilhar, com pedrinhas, com pedrinhas de brilhantes", não só para o meu amor, mas todos os seres nela pisar.

 
Seleta de Crônicas - Minha Rua, Minha Gente - Edição Especial - Abril de 2009