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Vinícius
Lima dos Reis
Feira
de Santana / BA
O
retorno
Foi um momento breve: um levantar de olhos, um abrir de punhos; um
descuido!
Adentrou noutros momentos, demorou outros horizontes e, de volta,
não mais a viu. Ele a deu... Não! Ela lhe foi roubada!
Posto que, na hora exata que a soltou das mãos, ele tinha por
certo o seu retorno. Mesmo assim, ela se foi e ele não mais
pôde ver seus riscos magros, suas grafias bailadas, sua cor
(azul) enfim. Porém, noutro dia, após outros mais de
angústia, o destino lha trouxe de volta pelas mesmas mãos
que a raptaram. E, num ato de pura misericórdia, despediu-se
do agressor (apenas!).
Voltou-se ao seu canto e sorriu! Sorriu um sorriso com um ar de agradecimento,
mas, ao mesmo tempo, de desgosto e remorso (face à necessidade,
ela fora substituída). De súbito, lançou fora
aquele pedaço de plástico sem vida que havia usado ao
longo dos dias vazios. De pronto, tomou-a! Ela, tão esperada;
sua tão querida caneta novamente em suas mãos!
Contrito, cobriu-a o corpo com sua mão quente e redimiu-se
assinando (ele mesmo) o próprio nome num documento qualquer
posto à mesa...
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