|
|
| Antologia
on line |
O encontro
Puta! Puta! Puta! No táxi em que percorria freneticamente e sem destino pelas ruas do centro de São Paulo, Mauro só queria mesmo extravasar a raiva da filha Marina, que lhe contara naquele dia estar grávida, aos 15 anos. Fuja! Fuja! Fuja! No rádio ligado em alto volume, o jornalista mandava as pessoas irem para suas casas e se esconderem do PCC, a facção que atacava a cidade de São Paulo no fatídico 15 de maio de 2006. Foda-se o PCC, grita Mauro, alternando os xingamentos ao grupo criminoso, à filha e, principalmente, ao crioulo da vizinhança que, para seu desgosto, agora era seu genro. Fudeu! Fudeu! Fudeu! Sujeito-homem, bicho solto, como diz a todos, Carré já nem lembrava mais a última vez que tivera medo em sua vida, sobrevivida todos os dias nas ruas da capital. Mas naquele fim de tarde tava foda. O centro tava vazio. O PCC tava atacando adoidado. E todo lugar que tinha pra se esconder já tinha sido ocupado por outros mendigos. Corre! Corre! Corre! Um táxi vem na direção de Carré. Com aquela velocidade só podia ser bandido, ou polícia, ou...sei lá. Debaixo do banco do táxi, Mauro pega o oitão. Aquele negro desnorteado só podia querer te ... Pá! Pá! Pá! Mauro dá um cavalo-de-pau e sai a milhão. No dia seguinte a polícia vê o corpo, sem documentos, e recolhe para que não digam que eles mataram mais um inocente. Carré não vira nem estatística. |
|
Contos Selecionados de Autores Premiados - Edição Especial
- Dezembro de 2008/Janeiro de 2009 |