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José
Wilmar Pereira
Itajaí
/ SC
Amor
e fatalidade
Péricles era um rapaz tímido, porém, caprichoso
e eficiente nas tarefas outorgadas por seus superiores, a bordo de
um navio de bandeira Panamenha, onde desempenhava a função
de segundo maquinista. Navio este que, normalmente fazia a rota Rio
de Janeiro-Nova York.
Independente do local aonde vinha atracar, Péricles saia sozinho,
já que, não freqüentava noitadas de orgias. Tinha
por preferência sim, ir ao cinema, passear em shoppings ou ler
um bom livro.
Com o decorrer dos anos, conheceu uma jovem de vinte e um anos - nascida
na mesma cidade litorânea do interior de Santa Catarina, do
qual originário era -, que estudava durante a noite - curso
superior - e, trabalhava durante o dia no cartório da família
como escrituraria. Jovem esta, que atendia pelo sonoro nome de Fátima.
Decidido a contrair futuros laços matrimonias, Péricles
dedicou-se assiduamente a construir sua futura morada nas proximidades
do mar. Lar este que, pronto, destacava-se tamanha beleza, tendo em
frente um lindo jardim com diversas flores aos quais desabrochavam
em diferentes estações, para que, sua amada sempre pudesse
apreciar a beleza de tais, indiferente a época do ano.
Logo depois de concluída, pediu a mão da moça
em casamento. Namorados eram, havia dois anos.
Pedido este, aceito com grande alegria pelo senhor Jacinto, pai da
noiva. Uma vez que, qualquer sogro teria a honra de ter um genro com
tais qualidades - e com a origem nobre que o rapaz trazia em seu sangue.
Seis meses depois, marcaram a data para o mês de maio - mês
das noivas -, do qual, lembro-me bem, a alta sociedade do pequeno
município convidada fora em peso, uma vez que, este havia de
ser o acontecimento social do ano. Estações de rádio,
televisão local e jornais, noticiaram o fato com alegria. O
salão de festas mais tradicional da cidade abrira suas portas
para receber as respectivas famílias que tanto deram de alegria
a todos ao longo dos anos.
Contrataram orquestra, mestre de cerimônia, tapete vermelho
para os noivos e testemunhas passarem.
Todas as mesas cobertas eram com toalhas brancas em detalhes dourados,
e sobre estas, castiçais e velas.
Tão logo adentraram o salão, os noivos recebidos foram
com uma valsa pela orquestra. E, flutuaram diante de todos. Sem dúvidas,
era um belo casal.
Posteriormente brindaram com Dom Pérignon - famosa champagne
francesa, quebrando a seguir as taças.
Naquela noite, ao qual relato ao leitor, guardo comigo a queda grande
que ocorreu de temperatura - algo incomum realmente -, de modo que,
todos os convidados estavam mais que impecáveis vestindo, no
caso, os homens belíssimos smokings e as mulheres portando
seus belos casacos de vison. Para época, um verdadeiro luxo.
Passados dois meses do enlace matrimonial, veio a notícia fatídica:
Péricles descobrira ser soro positivo.
Naqueles dias - início dos anos oitenta -, a doença
ainda era uma novidade no meio médico. Para se ter uma idéia,
havia ainda discordância quanto ao meio de contágio.
Os pacientes não tinham medicamentos específicos para
lhes garantir uma sobrevida com qualidade. Obviamente, a notícia
era uma sentença de morte, algo difícil de aceitar.
Na mesma noite, confessou a esposa que numa de suas idas a um shopping
center, isto em Nova York, conhecera uma jovem. Durante muito tempo
conversaram, até que, a moça convido-o a conhecer seu
apartamento. Chegando lá, tiveram um contato íntimo
e, nunca a mais viu. Acreditava ter sido contaminado por ela.
Jurou também que, desconhecia ser portador de tal doença,
e que, jamais iria machucar o ser que tanto amava.
Fátima, infelizmente contraiu o vírus.
Oito meses após o casamento, Péricles veio a falecer.
Fátima, em estado debilitado, partiu em conseqüência
de uma infecção pulmonar quatro meses após perder
seu cônjuge.
Com o fato acima narrado, espero que os leitores do mesmo, procurem
se precaver.
Felizmente hoje, existem tratamentos que condições dão
ao portador uma sobrevida mais digna. Todavia, é fato real
que ainda, não possuímos uma cura desta. Portanto, lembre-se:
sexo é bom, mas, com segurança.
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