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Marco
Antonio Hruschka Teles
Maringá
/ PR
Volúpia
volúvel
Não sei mais o que é a Felicidade. Hoje senti vontade
de chorar. Porém, não o fiz. Não sei se porque
não sou acostumado a esse ato, ou porque sou duro demais para
tal, ou por isso, ou por aqueloutro...
O fato é que, hoje, percebi que a pessoa que me acompanhava
pelos caminhos da vida, aquela com a qual eu dividia tudo, meu tempo,
meus sonhos, meus medos, minhas conquistas, não compartilhará
comigo do mesmo destino. Eu sou, agora, o meu próprio destino.
Depois de uma simples e corriqueira discussão, que serviu para
explodir a bomba de efeito retardado que vínhamos carregando
debaixo dos lençóis de nosso relacionamento, eu saí
sem dizer palavra, em direção ao nada, remoendo futuros
planos solitários, contudo, não completamente decidido,
e sim confuso, atordoado... ela correu atrás de mim com o intuito
de conversar, mas para mim não havia mais o que dizer, alcei
vôo enveredado...
Meus primeiros passos e uns bons outros que se seguiram foram de cabeça
baixa, refletindo, lamentando, transbordando o baú de sentimentos
sem distinguir quais eram bons e quais eram ruins, se realmente havia
uns e outros separadamente. Senti fome... frio... cansaço...
sono... era noite morta, andara demais...
Mas reparei que estava mais leve mesmo fadigado, seguia apenas o meu
ritmo de andar, impelido à solidão... o vento batia
em meu rosto e me causava calafrios, e isso fazia com que me sentisse
vivo. Ergui a cabeça e consegui enxergar o Mundo, tudo tinha
cores diferentes do habitual, algumas pálidas e desfocadas,
mas outras coloridas em aquarela, vi uma pomba branca no cume da cimeira...
Andei, andei, andei... pareceu-me que caminhar livrava a minha alma
de qualquer pecado que eu não tinha cometido, mas, doravante,
estava imerso na voluptuosidade boêmia, no idílio mundano,
na poesia da vida em si mesma...
Desfrutaria do Carpe Diem grego, árcade, pós-moderno,
seria eterno?
Por outro lado, eterna seria a busca por um novo cupido que pudesse
acalentar esse coração abnegado, machucado, que carrega
o fado agridocicado do Amor.
Lanço ao Zéfiro a decisão de minha fortuna, da
qual achei que fosse dono. Somos apenas donos de nós mesmos,
a nossa sorte está sujeita ao Universo, ao Tempo, ao Desconhecido...
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