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Carmen Gloria Fernandes Cabral
Rio de Janeiro / RJ


Um encontro no outono

 


Numa tarde fria de Outono, Bel e Cissa observavam da varanda a bela paisagem da natureza, as árvores com as folhas amarelas e vermelhas.
Então Bel perguntou "por que será que elas são dessa cor?"
- Porque nessa época do ano, a luz é abundante e a cor vermelha serve como proteção à radiação solar, há baixa temperatura e as árvores ao mesmo tempo em que reabsorvem os nutrientes das folhas, precisam da energia gerada na fotossíntese antes de caírem. - Respondeu Cissa.
- Puxa! Cissa, como você sabe disso? - fala Bel.
- Eu gosto muito de ler e tenho interesse em aprender, quando você quiser poderemos continuar nossa trilha do conhecimento.
- Sim, claro. Estou pronta. O que vamos fazer?
- Podemos ir colher flores para enfeitar e alegrar nossa casa e também colher frutas para nossa sobremesa.
- Então vamos lá. São tantas cores maravilhosas, temos camélias, orquídeas, azáleas, begônias, buganvílias, entre outras.
- E as frutas, Cissa? O que vamos comer?
- Vamos fazer uma deliciosa salada de frutas com banana, goiaba, laranja, tangerina, caqui, maçã, pera, melancia. Ufa! Também podemos fazer torta de limão, musse de maracujá, creme de abacate. Além disso, poderemos beber água de coco e decorar a mesa com fruta-do-conde. Essa estação é divina, cheia de vitaminas e sais minerais (ferro, cálcio e fósforo)! - Disse Cissa.
Bel fica estupefata com tantas maravilhas e por ter oportunidade de aprender.
No dia seguinte, estavam empolgadas e disseminaram o vírus da paixão do outono pela escola e a diretora gostou tanto da idéia que logo se alastrou pela região. Todos os moradores se mobilizaram e se propuseram a plantar mais sementes para que pudessem ter uma boa colheita. Semeando o amor, colhendo a paz.
Até a imprensa quis participar do movimento fazendo reportagens, divulgando que se tratarem a natureza com carinho, plantando mais, ao invés de destruir, desmatando e colocando fogo, todos terão uma vida melhor, com mais cor, mais sabor, mais humanidade e, sobretudo, com muito mais amor.
Certo dia, Cissa foi chamada para um programa para ser entrevistada, então, ela falou com muita paixão sobre como muitos problemas do mundo poderiam ser resolvidos com simplicidade, com iniciativas criativas e com a cooperação da sociedade. Disse que quando ela era pequena, sua mãe sempre a incentivava a criar formas de viver melhor, usar o meio em que vive com sabedoria e respeito, dar valor às amizades, à natureza e aos animais. Também dizia que dessa forma, se conseguiria atingir todos os corações e buscar soluções pequenas para grandes problemas. Mas infelizmente, nunca mais teve notícias da sua mãe e queria aproveitar a oportunidade para procurá-la.
Algumas semanas depois, toca o telefone em sua casa, e Cissa fica intrigada com a voz feminina do outro lado. Quem é você? Você me conhece? Como conseguiu meu telefone? - perguntou Cissa, intrigada.
- Você não me conhece, mas eu sou muito amiga de sua mãe. - respondeu Telma.
- Você tem notícias dela? Como ela está? Onde ela está? - disse Cissa, nervosa.
- Ela está bem e quer te ver, ela está em Fortaleza.
- Que maravilha!!! Então eu irei, amanhã mesmo!
Cissa contou para Bel o ocorrido e então foram as duas, procurar a mãe desaparecida.
Chegaram no aeroporto Pinto Martins e encontraram Telma, de estatura baixa, com os cabelos grisalhos, mão enrugadas, mostrando os sinais do tempo. Começaram a se cumprimentar efusivamente e a falar e chorar ao mesmo tempo.
- Vamos logo! - disse Cissa ansiosa.
Então chegaram num escritório de paisagismo.
- É aqui. - disse Telma.
- Nossa adorei! - disse Cissa, empolgada. - E continuou - Nunca pensei que minha mãe fosse paisagista.
Quando entraram, a mãe, a Senhora Érica as esperava e as recebeu euforicamente, não conseguia nem falar, correu para abraçar a filha tão querida e perdida durante anos.
Então, a partir daquele momento, começaram todas a cuidar do planeta Terra com mais amor, plantando, colhendo e salvando vidas.

 
Contos de Outono - Edição Especial - Abril de 2009