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Maria
do Carmo Marques Ramos
Tatuí
/ SP
A
espera
Em uma vila de pescadores um casal feliz vivia.
Ao Sol nascente, de casa ele saía e só ao anoitecer
voltava da pescaria.
À tarde, em um banquinho sentada defronte da casa, angustiada,
ela pelo marido esperava. Quando ao longe avistava seu barco chegar,
cheia de felicidade, ficava a esperar. Entre beijos e abraços,
na casinha entravam e felizes momentos passavam.
Certa tarde de verão, no horizonte purpúreo da banda
do mar, nuvens negras, carrancudas e pe-
sadas começam a se formar. Ventos fortes uivam como lobos famintos.
Coqueiros e palmeiras retorcendo e as folhas espalhando.
Um som oco, assustador e distante troa na amplidão do céu.
É o trovão que ruge retumbante e
raios cintilam a todo instante. O mar bramia. Ondas enfurecidas se
formando e em pouco tempo a tormenta desabando.
Os moradores, sobressaltados,acendem velas nas casas, rezam, choram
e a volta dos pescadores esperam.
Eles, em seus barcos lutam desesperadamente contra o mar fremente.
Lutam com os ventos, com os vagalhões e com seus medos.
Exauridos, mas com fé e coragem à praia conseguem chegar.
Familiares entre lágrimas, beijos e abraços os pescadores
vão encontrar.
Eis que uma mulher em prantos cai, pois seu pescador do mar não
saíu. Aflita, com o peito pela dor dilacerado volta para casa
esperando o marido amado. Tem forças e fé para orar
e a Deus pedir para ele voltar.
O dia todo no banquinho sentada, com o olhar fixo no nada a esperar...
a esperar... e, já fatiga-
da... Quando, ao longe, onde alcança a visão ela vê
alguém caminhar em sua direção.
Seu coração acelera, dispara de alegria, esperança
e aflição.
Era ele, o seu pescador, que do mar encapelado voltara. Ondas agitadas
derrotara. Fora valente na luta desigual e o mar com tenacidade vencera.
Que felicidade!
Os enamorados, entre carícias, soluços e doces palavras
de amor se encontram. Juntos, com fé e amor venceram a dor.
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