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O frio que nos cerca
Ela me
deixara. Naquela
noite ela me disse um adeus sem palavras. "Por
que os sonhos mais belos são frágeis e esquivos? Por
que não alcançamos o arco-íris e nos colorimos
de alegria? Por que não podemos colher gotas de luz para lançar
na escuridão?" Mas a
minha apenas era: "Quanto pode durar a felicidade?" Eu me
sentia feliz e também via alegria em seus olhos, caminhando
pela areia da praia, trilhando aventuras, ou mesmo apenas tomando
um café ao seu lado. Ela me olhava, sempre com aquela alegria
inocente e me fazia sorrir por prazer ou por descartar regras a muito
arraigadas em meu íntimo. Eu sempre
a amei. Ainda posso ouví-la sussurrar seu diário Bom
dia, Luciano! em meus ouvidos, ao acordar pela manhã. Eu moveria
céus e terra somente para tê-la sempre sorrindo, feliz
ao meu lado. Nas noites,
acordo no meio da madrugada, trêmulo, aos prantos, imaginando
estar vivendo um pesadelo, que ainda estamos juntos, que ela me ama,
e está ao meu lado tanto quanto antes. Então a realidade
me atropela e vejo que o pesadelo é tão concreto quanto
as paredes ao meu redor. Resta-me a tristeza e o conformismo. "Da
taça que nos foi oferecida, tomaremos juntos até a última
gota de vida." Ainda me lembro bem destas suas palavras. Eram
uma declaração de amor e uma promessa. Não
fui capaz de prever. Nunca pude pensar que a taça se esgotasse
tão rapidamente, que sua doença fosse tão devastadora,
nem que o derradeiro momento estivesse tão perto. Um câncer
no seio se alastrara pelo corpo de Izabella, devastando de um só
golpe, três vidas. Neste
dia de outono de minha vida, apenas posso repetir, na esperança
que ela me escute, lá das nuvens celestes, em meio a anjos
e querubins: |
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Contos de Outono - Edição Especial - Abril de 2009 |