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Ismar Carpenter Becker
Rio de Janeiro / RJ

Reminiscências...



Era uma tarde de outono, céu límpido, pequenas nuvens rajadas flutuavam espalhadas na imensidão do céu azul. Osol preparava-se para se deitar, sua missão de mais um dia estava terminando, já tinha aquecido corações e mentes, sua irmã lua já apontava no horizonte sob os últimos lampejos do astro rei. Foi aí que você apareceu em minha vida, entrou sem pedir licença,abriu a porta da minha privacidade, conheceu meu interior e como um posseiro tomou de assalto as terras de meu coração, já sem esperança, combalido por desilusões pretéritas, que deixaram cicatrizes, sangramento e que mancharam meu pobre peito.

No início a chama da paixão ardeu, queimou, reacendeu o meu viver, parecia tudo alegria, o despertar e a impetuosidade da adolescência estava de volta em mim num corpo maduro. A paixão se transformou em amor, prazer, cobrança, ciúme, e o pensamento em você era uma constante minuto a minuto. O mundo se tornou cor de rosa, tudo era belo, até a pétala murcha de uma rosa em botão era motivo de risos, alegria, não era entendido como o ciclo da vida que nem desabrochou. Seguíamos lado a lado, e a ansiedade de um simples atraso num encontro, era sofrido, longo, parece que o tempo havia parado, e ao chegar, tudo era aliviado, o coração batia mais forte, descompensado, as mãos trêmulas, o suor na têmpora, o beijo ardente, a falta de fôlego, o corpo num só corpo, a vitalidade consumia calorias ,tudo era prazer.

Os dias se passavam, nada importava as notícias mais trágicas eram só rotina de um mundo que sempre foi cruel para alguns. Nosso amor prosseguia, nada nos abalava, nem as tormentas num mar revolto, tudo era bonança, navegávamos serenos contemplávamos as estrelas, a lua encoberta por uma nuvem intrusa, os pingos da chuva deslizavam em nossos rostos com frescor, o sol aquecia nossos corações enamorados ,os ventos eram leves sussurros da natureza em nossos ouvidos, tudo era belo, o amor fervilhava em nossas veias, éramos felizes.

De repente, a chama começou a enfraquecer, os beijos gélidos como icebergs, os abraços cessaram, o calor de nossos corpos ficou morno, insensível, nossas mãos pouco se tocavam, o brilho do olhar ficou opaco, começa o desamor as brigas, o desentendimento. Otempo passou, tudo parecia distante, cinza, rotineiro, a rosa murchou, o cravo foi ao chão, só restaram espinhos agudos, você partiu para onde? O desamor se instalou em mim, só sobraram lembranças de um grande amor.

 
Contos de Outono - Edição Especial - Abril de 2009