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Roseli Princhatti Arruda Nuzzi
São Paulo / SP

 

Laços de sangue


Cai a noite, ouço o relógio badalar meia-noite, os pingos de chuva a tilintar em minha janela, olho pela grande vidraça e vejo, como todas as noites, um ser estranho no calabouço do Castelo chamando desesperadamente por Melinda.
Esta cena se repete desde que me mudei para o Castelo de Brownlying.
A história inicia-se na Idade Média, por volta do Século XV, quando Joseph III nasceu, filho ilegítimo de Joseph II, do clã dos Balcans, com uma camponesa de nome Margareth Metacowitz. Sua infância fora muito infeliz. Não tinha amigos e seu passatempo favorito era torturar pequenos animais como camundongos, capturando-os com a ponta de sua espada e ateando fogo para ouvir seus gritos de desespero até a hora de sua morte.
Quando adulto aprendeu a arte da cavalaria com grandes guerreiros da época que haviam vencidos grandes batalhas.
Com 22 anos casou-se com a Princesa Melinda Bloddying, foram muitos felizes, porém depois de dois longos anos, uma fatalidade fez sucumbir a sua então felicidade. Foi capturado e preso na torre do Castelo de Green, por seu inimigo mortal, o Rei Ariston Greenwood, que pertencia ao clã dos Melcans. Os soldados do Rei sequestraram e lançaram Melinda no calabouço, junto aos crocodilos, para que fosse devorada pelos mesmos. O Rei Ariston Greenwood colocou seu irmão, Cleonte Grrenwood, como Príncipe do castelo de Brownlying
Ao ficar viúvo desta maneira trágica, Joseph foi obrigado a casar-se com a irmã do Rei, a Princesa Hermênia Greenwood e assim obteve a sua liberdade.
Desde esse fatídico dia, sentiu um grande ódio pelos humanos e assim desejou tornar-se imortal e matar aqueles que tiraram a vida de sua doce amada.
E o que, na infância, fazia com os camundongos, passou a fazer com os humanos.
Decidiu fazer justiça com as próprias mãos.
Sua primeira vítima foi um ladrão que adentrara em seu castelo, pulando o muro da capela. Ele vendo a cena, capturou-o, espetou a sua garganta com a espada, bebeu o sangue e o corpo foi jogado em uma churrasqueira gigante. Chamou os seus soldados para apropriarem-se de sua carne.
Depois de alguns meses, capturou cerca de duzentos camponeses que estavam famintos, deu-lhes de comer e depois, com a mesma frieza, cortou-hes a garganta, apropriando-se do seu sangue e os corpos foram jogados na churrasqueira para que outros se servissem de suas carnes.
E assim passava os seus dias, matando e torturando quem ousasse passar pelo seu caminho. Bebia sangue de suas vítimas por acreditar que assim se tornaria um eterno imortal.
Para retomar o seu reino das mãos dos Melcans, travou uma grande batalha com cerca de cinco mil soldados, venceu Cleonte, cortou-lhe a garganta, apropriou-se do seu sangue, assou-o e serviu-lhe num grande banquete para os então aliados do príncipe, e depois que eles tiveram a grande ceia foram assassinados da mesma maneira, seu sangue retirado antes de serem atirados na grande churrasqueira.
Mas seu sogro ficou irado com a sua atitude, e numa grande luta com cerca de dez mil soldados conseguiu capturá-lo e assassiná-lo, sua cabeça foi entregue ao líder das pessoas que moravam nos arredores do Castelo de Brownlying, para que estes não mais temessem as atitudes cruéis de tão nobre tirano.
Seu corpo foi enterrado na capela nos arredores do castelo. Neste dia caiu uma forte tempestade derrubando-a e destruindo toda a sua estrutura. E como as mortes continuavam a acontecer, algumas pessoas decidiram remover o seu túmulo, e qual não foi a surpresa ao não encontrarem o seu corpo enterrado. Como se ele houvesse renascido das cinzas. E estranhamente encontraram vários corpos mutilados nos arredores do Castelo de Brownlying.
As pessoas da região dizem que ele por lá ainda vagueia em busca de sua amada Melinda.

 
Antologia de Contos Fantásticos - Fevereiro / 2010