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Amadeu
Paes
Santo
André / SP
A
espiral azul
Já
eram três horas da manhã, Ricardinho, estava completamente
bêbado. Era um rapaz novo de boa aparência, mas sem nenhum
juízo, não era a primeira vez que fazia isso. Estudava
numa universidade que não tinha outro objetivo, a não
ser, formar debilóides para o mercado de trabalho.
Naquela alta madrugada, ele descia a rua sozinho tentando chegar a
sua casa, tropeçando nos próprios pés, quando
num repente, sentiu uma presença, algo estranho pairava no
ar, um vento frio batia em seu rosto e seus olhos começaram
a lacrimejar e um zunido soava no ar.
Ricardinho olhou para o céu e uma espiral azul brilhante estonteante,
girava de fora para dentro, deixando um rastro brilhante, conforme
se movimentava; num dado momento parou e ficou fixa, porém
a espiral continuava a girar, mais lentamente e Ricardinho ficou com
seu olhar fixo nela, por pelo menos 60 segundos.
Da mesma forma que aquela espiral surgiu, sumiu; Ricardinho por mais
tolo que fosse pensou: "Preciso parar de beber! Foi uma alucinação!";
seguiu seu caminho e finalmente chegou em casa, deitou-se na cama
e dormiu tranquilamente.
Na tarde seguinte, ainda de ressaca, ele sai para a rua, nem se lembrava
mais do que havia acontecido na noite anterior, subiu para a pracinha,
onde encontrou seus amigos que estavam fumando maconha, um deles ofereceu-lhe
um cigarro, mas não aceitou, estava pensando em outra coisa,
uma coisa que estava muito fixa na cabeça, parecia que estava
sendo obrigado a fazer aquilo, então se aproximou do seu amigo
traficante e perguntou:
-Ei, Mano! Você sabe onde posso conseguir um revólver?
-Pra que você quer um? - Perguntou intrigado o traficante.
-Importa? - Respondeu Ricardinho, muito friamente.
Ficaram um olhando para o rosto do outro, até que o traficante
deu nos ombros e disse que ele deveria trazer duzentos "mangos"
e no fim da tarde o revólver estaria ali.
Ricardinho não tinha o dinheiro, então voltou para casa
e revirou a bolsa de sua mãe e lá tinha R$ 300,00 os
quais roubou e conforme o combinado se apossou do revólver,
um calibre 38, simples.
Algumas horas mais tarde, ele se encontrou com seu amigo de balada
e convenceu-o a ir ao clube mais chique e importante da cidade, pois
ali, as principais autoridades do lugar estariam para a festa anual
de caridade; ele deu o argumento que eles poderiam conseguir algum
emprego com algum vereador ou conseguir uma garota para dar o golpe
do baú, o amigo estranhou, mas concordou. Partiram para o clube.
A festa seguia monótona, quando chegou a hora do leilão,
onde os figurões da cidade competiam entre eles, para ver quem
dava o maior lance, com o único propósito de sair na
coluna social do jornal, afinal a cidade inteira estava ali.
Ricardinho fixava seu olhar para o prefeito da cidade, nem mesmo as
meninas da alta sociedade que estavam interessadas nele; prendia sua
atenção, seu pensamento era única e exclusivamente
para o prefeito.
A festa estava acabando, o prefeito subiu ao palco para agradecer
a presença de todos e começou a fazer o discurso, Ricardinho,
levantou-se lentamente, apontou o revólver e disparou; um tiro
certeiro no coração do prefeito que caiu morto.
Ricardinho se dá conta que fez coisa errada e sai correndo;
fugindo da polícia que começou a persegui-lo, tropeçando
entre cadeiras, mesas e gente, conseguiu chegar à rua, estava
suando frio, jogou a arma no chão, não sabia por que
tinha atirado no prefeito.
De repente aquele mesmo sentimento que teve na noite anterior tomou
conta de seu ser, olhou para o céu e lá estava a espiral
azul.
Ficou trêmulo, agora não estava sob efeito do álcool,
aquilo era real! Observou mais atentamente e percebeu uma pequenina
janela no centro da espiral e parecia que havia alguém olhando
por esta janela.
Apontou o dedo para a espiral, sentiu uma dor ardida que rasgava seu
peito, pôs a mão no peito e viu sua mão cheia
de sangue, olhou uma vez mais para o céu e a espiral não
estava mais lá, com os olhos esbugalhados, caiu morto no chão,
um tiro disparado pelos policiais que o perseguiam o atravessou, atingindo
o seu coração.
Os policiais cercam o corpo de Ricardinho e uma grande confusão
se instala em volta do clube, ficou assim durante algumas horas e
ninguém entendia o motivo do assassinato do prefeito, era um
mistério indecifrável.
Na alta madrugada daquele mesmo dia, as ruas estavam silenciosas,
nem parecia que havia tido toda aquela confusão horas atrás,
apenas um pobre diabo estava revirando os lixos, procurando algo que
havia sobrado da festa, de repente, o céu foi iluminado pela
espiral azul, aquele pobre diabo observou a espiral e também
viu a pequenina janela e percebeu que de lá outro ser o observava.
De dentro da espiral, o velho Brigadeiro Salgado estava olhando a
cidade, com as mãos para trás, nem ligou para aquele
pobre diabo, voltou-se da janela e sentou-se numa mesa, onde havia
um homem de meia idade sisudo e de olhos vermelhos, este homem pergunta,
em voz trepidante:
-Como estamos, Brigadeiro?
-Tudo foi feito conforme o planejado. - Respondeu friamente o Brigadeiro
e continuou. - Qual o próximo passo?
-Próximo passo?... - Não há nenhum próximo
passo, continuaremos a fazer o que fazemos, ou seja, vender drogas,
enriquecer e descobrir novas maneiras e tecnologias para manter nossos
negócios.
-Já tem um candidato para eleger no lugar do prefeito assassinado?
-Já! - Respondeu o homem sisudo, coçando o queixo. -Só
que dessa vez, vamos escolher alguém que possamos controlar
melhor, aquele idiota descobriu o nosso segredo, não quero
mais usar esta máquina hipnotizadora e quer saber? Chega desse
assunto...
O Brigadeiro Salgado se retirou para a ponte, pensando como iria se
apossar de toda aquela tecnologia e todo aquele negocio do narcotráfico,
mas agora não era o momento, então disse ao seu piloto:
-Leve esta espaçonave de volta para a base!
E assim a espiral azul sumiu!
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