Adeilton
Oliveira de Queiroz
Gama
/ DF
Admirador
da invisibilidade manual
Nossas mãos
estão agora abertas demais e as palmas bem viradas pra cima
estão fluorescentes e expostas. Nossas mãos não
possuem a invisibilidade que as reticências proporcionam. São
mãos não reticentes. São mãos exclamativas,
honestas e frágeis.
A honestidade fragiliza demais. Essa exposição é
tão inútil como bolso de pijama velho. Então
transformo nossas mãos no nosso sagrado segredo ultrasecreto.Eu
as transformo em leite escondido. Aquele leite que a vaca iluminada
esconde. Eu as transformo em "à" craseado ou "à"
siamês. Aquele "à" camuflado que na verdade
são dois. Os desavisados sem farol pensam que só há
um "à". Pra muito além dessas nossas mãos
que receberam o Nobel de poesias surgiu o modo pelo qual o mito das
mitocôndrias distraídas produz nossa presença
luz no maravilhoso universo Deus da palavra eterna.
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