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Adeilton Oliveira de Queiroz
Gama / DF



Admirador da invisibilidade manual


Nossas mãos estão agora abertas demais e as palmas bem viradas pra cima estão fluorescentes e expostas. Nossas mãos não possuem a invisibilidade que as reticências proporcionam. São mãos não reticentes. São mãos exclamativas, honestas e frágeis.
A honestidade fragiliza demais. Essa exposição é tão inútil como bolso de pijama velho. Então transformo nossas mãos no nosso sagrado segredo ultrasecreto.Eu as transformo em leite escondido. Aquele leite que a vaca iluminada esconde. Eu as transformo em "à" craseado ou "à" siamês. Aquele "à" camuflado que na verdade são dois. Os desavisados sem farol pensam que só há um "à". Pra muito além dessas nossas mãos que receberam o Nobel de poesias surgiu o modo pelo qual o mito das mitocôndrias distraídas produz nossa presença luz no maravilhoso universo Deus da palavra eterna.

 
Antologia de Contos Fantásticos - Fevereiro / 2010