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Helen
de Rose
Sorocaba
/ SP
Quando
nasce um escritor
A busca
pela comunicação e expressão das idéias
surgiram lá na pré-história. Quando os primitivos
desenhavam nas paredes das cavernas.
Veja como eles já tinham essa necessidade de dizer o que pensavam
e sentiam o desejo de manifestar isso, para todos verem.
Com o passar do tempo, os escritores foram surgindo conforme sua vocação.
Autores de obras literárias, científicas e de diversas
formas de manifestação da escrita.
Muitos dizem que há uma necessidade de conhecimento específico
nessa área. Mas, ainda vejo pessoas sem estudo nenhum, escrevendo
textos ricos em sentimentos expressados, como acontece lá no
nordeste, com os cordéis.
Essa
noite tive um sonho, estava andando na praça de minha cidade,
quando encontrei um senhor, com uma sacolinha de pano a tira-colo,
com vários papéis na mão direita, oferecendo
pra quem passasse.
Quando me aproximei dele, ele me ofereceu um pequeno papel com uma
poesia, escrita por ele. Perguntei:
- O senhor gosta de escrever? Ele me respondeu:
- Sim senhora, foi o dom que Deus me deu. Eu escrevo desde pequeno,
lá no Engenho de Pau d'Arco.
Já sensibilizada pela imagem pura daquele senhor, perguntei:
- Quanto custa a sua poesia?
Ele sorriu timidamente e disse:
- O que a senhora pagar está bom pra mim! Vai do valor que
a senhora dá ao escritor e a poesia feita por ele.
Quando lhe dei o dinheiro ele assustou:
- Minha senhora isso não é um livro, é apenas
um pedaço de papel. Olha, pegue, leve mais poesias, pelo valor
que está me dando, tem que levar mais. Eu respondi:
- Vou levar apenas um, pois esse é o valor que estou dando
ao dom que Deus lhe deu, os outros ficam com o senhor. Talvez o senhor
encontre mais pessoas que gostam de poesia.
Ele ficou
tão emocionado. Abriu sua sacolinha de pano, tirou um lenço
e, sentado no banco da praça, enxugou suas lágrimas,
que molhavam sua face cansada. Eu me aproximei dele e pedi licença
para declamar sua poesia em voz alta:
Ecos
d'Alma
Oh! madrugada de ilusões, santíssima,
Sombra perdida lá do meu Passado,
Vinde entornar a clâmide puríssima
Da luz que fulge no ideal sagrado!
Longe das tristes noutes tumulares
Quem me dera viver entre quimeras,
Por entre o resplandor das Primaveeras
Oh! madrugada azul dos meus sonhares;
Mas quando vibrar a última balada
Da tarde e se calar a passarada
Na bruma sepulcral que o céu embaça,
Quem me dera morrer então risonho,
Fitando a nebulosa do meu Sonho
E a Via-Láctea da Ilusão que passa!
Assinado:
Augusto dos Anjos.
Acordei
com um nó na garganta, sentindo na alma, o quanto é
indescritível ser um escritor, um dom que já nasce pulsando
no coração, independente do tempo ou do espaço
em que nos encontramos. Fiquei lembrando da imagem de Augusto dos
Anjos, que só teve um livro publicado "EU", antes
de morrer de pneumonia aos 30 anos. Um autor que ficou consagrado,
não pela quantidade de livros da sua obra, mas pelo valor literário
de cada verso que escreveu. De fato, ele nasceu escritor, nasceu poeta!
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