|
|
|
Antologia
on line |
Esquecida ao extremo
Passou para a seção de verduras, analisou um item, depois outro, também nada escolheu. Dirigiu-se para a seção de frios, analisou alguns pacotinhos, de queijo e de presunto, mas tudo estava além do preço ideal, o dinheiro não seria suficiente. Seguiu para a seção de congelados, olhou, analisou, calculou e finalmente decidiu adquirir duas lasanhas prontas, a promoção compensava. Não havia tempo a perder, Larene escolheu um caixa para pagar os produtos. Neste momento, sentindo concluído o compromisso, olhou para suas mãos, percebeu a falta do celular. Nas mãos estavam as chaves, o dinheiro e as lasanhas. Desesperou-se rapidamente. Assustada, falou sozinha na fila: - Ai,
meu Deus, perdi meu celular! E agora, e agora?! Muitas outras coisas ela pensou, então iniciou a sua peregrinação por todos os cantos que passou pelo mercado, freneticamente correndo. Ela correu para a banca das verduras, remexeu tudo, foi nos frios, na seção de carnes, na seção de congelados, virou de um lado, foi para outro. Coitadinha da Larene, estava muito desesperada, começou a chorar. Ela começou a falar sozinha: - Era só isto que me faltava, somente isso mesmo ! Que coisa! Que merd.... ! Bem hoje isto me acontece !
Passados alguns minutos de desespero total, Larene desistiu de procurar.
Seguiu para a saída, visualizou um lugar para deixar as mercadorias.
Não queria levar mais nada, o filho que viajasse sem as lasanhas.
Ela estava muito triste, desolada. Certamente a perda do celular antecipou
o choro contido, coitada daquela mãe. Ela não conseguia
parar de chorar, as pessoas que a viram certamente ficaram curiosas
com tal comportamento. - Meu celular! Que alegria! Ainda bem, meu Deus ! O celular esteve muito bem guardado, apertado, foi encontrado bem quentinho. Certamente aquela mãe distraiu-se ao extremo motivada pela despedida do filho. O episódio do celular descontraiu a família, todos riram muito até o momento da despedida, idem a esquecida. Mas nem as brincadeiras fizeram aquela mãe deixar de chorar no último abraço, lá no aeroporto, afinal, mãe é assim mesmo. |
|
Antologia de Contos Fantásticos - Fevereiro / 2010 |