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Ubiratan
de Souza
São
José dos Campos / SP
Memória
recriada
Quando jogo água no rosto pela manhã,
provocando aquela sensação desagradável de ativar
todos os nossos sentidos, penso que poderíamos recriar em nossa
memória fatos agradáveis ou auspiciosos, que amenizassem
a sensação de inércia e déjà vu,
que nos assalta antes do café.
Por muitas vezes, tentei ao acordar me lembrar de fatos ocorridos
em minha vida, que me proporcionaram alegrias e sensações
muito agradáveis.
Só me lembro de um fato em especial.
Vai-se o tempo de minha adolescência.
Minha família morava à beira-mar, e eu muito magro e
ágil, era considerado o Garrincha da praia.
Era uma verdadeira celebridade, como se diz hoje.
Tinha fãs, e só disputava notoriedade com um tal de
Ademir, que sinceramente era muito melhor que eu, mas enganávamos
(eu e meus fãs), a todos e a nós mesmos que isso não
era verdade, pois além de ser artilheiro do campeonato, eu
era o capitão do time (Os Praianos) e pela lógica cartesiana,
o melhor.
Naquele domingo, fevereiro de 62, cheguei atrasado, pois minha tia
muito carola me obrigou a ir a missa antes de ir para a praia.
Agora pensando bem, acho que sou darwinista por causa dela.
Quando cheguei, o nosso técnico sacou o ponta "Rin-tin-tin",
e me colocou de imediato.
Dei muita sorte, fiz o gol de empate, e ganhamos o campeonato por
antecipação.
Fim de jogo, todos me cumprimentavam e me elogiavam pela façanha
e sorte daquele dia.
Uma garota caiçara muito bonita chamada Claudia, estava com
um violão e dedilhava a canção "O barquinho",
sucesso da bossa-nova.
É, foi realmente "um dia de luz, festa do sol" para
mim.
Talvez tenha sido o dia mais feliz de minha vida.
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