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Cecília Meireles
7 de novembro de 1901 - Rio de Janeiro
9 de novembro de 1964 - Rio de Janeiro

A história da sua vida remete à sua carreira de escritora, poeta e professora, dona de uma vasta obra literária.
O pai morreu antes que ela tivesse nascido, e a mãe, antes que completasse os 3 anos. Ela foi a única dos quatro filhos do casal que sobreviveu.
Criada pela avó, Jacinta Garcia Benevides, dizia que o silêncio e a solidão que marcaram a sua infância, ao contrário de parecerem sinais negativos, foram positivos para ela.
Tornou-se professora aos 16 anos, depois poeta, ao publicar o primeiro livro, Espectros, aos 18, em 1919. Casou-se aos 21, com o artista plástico português Fernando Correa Dias, que seria o ilustrador de seus livros e pai de suas três filhas: Maria Elvira, Maria Matilde e Maria Fernanda. O marido se matou e ela voltou a se casar em 1940, com o professor Heitor Grilo.

"... Essas mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o efêmero e o eterno".

Ao fundo, a voz de Cecília, interpretando seu poema Retrato, na Rádio MEC, Rio de Janeiro.
Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?

Cecília Meirelles teve um papel importante na cena intelectual e política de seu tempo. Em 1922 ligou-se às vanguardas modernistas.
Em 1938 ganhou o importante Prêmio de Poesia, concedido pela Academia Brasileira de Letras, pelo livro Viagem. Atuou no jornalismo, que despontava e se desenvolvia surpreendentemente na época.
Escrevia diariamente sobre os problemas da educação, d e 1930 a 1934, no Diário de Notícias. Não poupava críticas à ditadura do Estado Novo implantada pelo então presidente da República Getúlio Vargas.
Criou a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro.
Deu aulas de literatura na Universidade do Distrito Federal, hoje UFRJ, e fez conferências nos Estados Unidos, Europa, Ásia e África.
Traduziu peças teatrais, livros de poesia e prosa, e deixou numerosos textos inéditos.
Sua poesia foi traduzida para o espanhol, francês, italiano, inglês, alemão, húngaro, hindu e urdu, e musicada por Camargo Guarnieri, Francisco Mingnone, Lamartine Babo, Bacharat, Norman Frazer, Ernest Widma e Fagner, entre outros.
Em sintonia com o espírito nacionalista de época em que viveu, desenvolveu também trabalhos ligados à história do Brasil.
O Romanceiro da Inconfidência é considerada sua obra-prima. Uma narrativa rimada, melódica, resultado de dez anos de pesquisas remetendo ao episódio histórico da Inconfidência Mineira.


"...Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda..."
(Romanceiro da Inconfidência, 1953)