|
|
|
Antologia
on line |
Nathalia
da Cruz Wigg Noite no castelo de Aron
Em 2008, véspera de Natal, Aron decidiu procurar por alguns amigos e familiares. Depois de muitos anos longe da cidade, decidiu se aventurar e abandonar, temporariamente, o seu “deserto”. Deserto que, decerto, era a sua própria completude. Caminhou por muito tempo sobre o gelo da neve... enquanto os olhos revelavam o degelo da alma... dentro do peito, clamava um coração em chamas... chamando e chamejando por amor, carinho, um abraço que há tempos não o enlaçava. Enrolou-se nos próprios passos e caiu sobre o chão, cansado, sem direção. Não encontrava um caminho que o levasse à cidade. Pensava: “tantos anos longe do mundo externo... Será que tudo mudou? Será que os caminhos se ocultaram?” À medida que as horas passavam, Aron se sentia menos habitante desse planeta. Que mistério assombrava as profundezas do velho homem? Desistiu de continuar o percurso, pensou que talvez estivesse prisioneiro em seu mundo. Mas não havia nada de mal nisso; sempre se sentiu tão completo consigo mesmo... O Natal chegara. Durante seu retorno, ouviu músicas e sinos, consagrando aquela noite especial. Avistou sua casa, iluminada, com movimento e maior do que o normal. Pensou que estivesse ficando louco. É como se diante dos seus olhos surgissem retalhos de épocas felizes e momentos plenos que estavam guardados no passado. Naquela noite, Aron retornou ao seu castelo, reconstruído pela simplicidade de sua própria percepção.
Aron Fortkamp é um velho homem que mora, num castelo, no interior da cidade de Arkansas. Vive com uma linda família, é demasiadamente introspectivo, se esqueceu, por muito tempo, de perceber o mundo externo. Costumava ficar sozinho, na pequena e sombria laje do castelo em que reside. Continua a tocar violão nas noites mais frias do inverno... Aron se tornou um grande sábio por desvendar os mistérios ocultos da alma, porém se perdeu, na jornada, quando não encontrou o equilíbrio que fazia a ponte com o mundo ao redor. Hoje, Fortkamp sabe que o amor existe para ser celebrado e que a felicidade não precisa ficar congelada no passado. Tudo é uma questão de percepção. Foi percebendo a grandeza ao seu redor que Aron pôde vivenciar um mundo, realmente, mágico. |
|
Publicado
na Antologia "Os mais belos Textos de Natal" - Edição
2008 - Novembro de 2008 |