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José
Wilmar Pereira
Itajaí
/ SC
Sempre
é Natal
Hoje acordei com o espírito natalino. Voltei no tempo até
chegar aos oito anos de idade - aurora da minha infância querida.
Relembrei passo a passo àquele Natal. Recordo que nossa casa
- que aos meus olhos parecia imensa, gigante -, era construída
em madeira. Mamãe costurava até altas horas, pois, se
fazia necessário auxílio na renda familiar.
Papai gostava muito do Natal - o Natal era-lhe tudo! Chegou com uma
árvore grande - creio eu, que media aproximadamente uns três
metros. Na época, não existiam pinheiros artificiais
- eram estes de araucária, árvore originária
da Região Sul do país. O nosso - preciso dizer - era
lindíssimo. E, mais belo ficou quando o enfeitamos com bolas
coloridas, algodão e barba de velho. Sendo que, o mesmo, extraímos
de algumas árvores - tipo Figueira -, próximas do nosso
saudoso e feliz lar. Montamos o presépio embaixo da árvore,
simbolizando o nascimento do Menino Deus.
Em nossa mente e corações, tudo era alegria, tudo era
festa. De modo que, meus irmãos e eu, eufóricos estávamos.
Quando a lua se fez presente, e o horizonte enfeitou-se com o pisca-pisca
das estrelas - isto por volta das vinte horas -, após havermos
tomado banho e jantarmos, minha querida mãe - Dona Rosa - como
de costume, uniu-nos em oração. Mas, no Natal foi diferente,
visto que, fizemos cada qual o seu pedido a Papai Noel, sonhando com
o lindo presente que este haveria de nos trazer.
Fomos dormir.
Aquela noite - que noite! - foi uma eternidade! Parecia que jamais
iria amanhecer. Mas, quando o sol raiou, aquecendo as flores que ficavam
em frente ao nosso lar - no pequeno jardim -, lindas rosas, carmélias
e margaridas, nossos olhos deslumbrados ficaram com o que havia embaixo
da inesquecível árvore natalina: eram nossos presentes.
Meu irmão, Carlinhos, ganhou uma bola de futebol. Natália
e Sônia - a caçulinha -, presenteadas com duas lindas
bonecas. E eu - o primogênito - agraciado fui com um peão
de lata todo colorido.
Oh, como era lindíssimo aquele peão! Quase indescritível!
E como eu queria encontrá-lo novamente. Se assim fosse, provável
que no mesmo instante o comprasse. E certamente me sentiria àquela
criança de mil novecentos e cinqüenta e oito.
Daqueles tempos - que não mais voltam -, restou saudade. Somente,
vivo está por completo, no pensamento deste vovô sonhador
que aqui vos relata. Mas, convenhamos: independente de época,
Natal é Natal, tempo de festejar, refletir o nascimento do
Nosso Salvador Jesus Cristo.
Um Feliz Natal!
(In
memorian de Wilmar Pereira e Maria Natália Farias)
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