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Neri França Fornari Bocchese
Pato Branco / PR

Muitos natais: tantas mensagens


O primeiro Natal se perde na história do tempo. Os povos todos festejavam ou o Solstício, ou o deus pagão iraniano Mitra, que acreditavam ser o Sol da Integridade, como uma passagem alegre, uma troca de presentes, sempre uma celebração da Vida.
No calendário da Humanidade podemos destacar três Natais em que a Vida foi festejada, onde houve uma grande manifestação do Senhor da própria Vida.
A primeira foi no instante sublime em que Deus, numa manifestação amorosa, "cria um ser a Sua imagem e semelhança" Gn 1,27. Homo então se pergunta: Quem sou? Estando a consciência do homem, já presente no pensamento de Deus. Os anjos do céu tocaram as citaras e harpas. Deus não está mais só. A obra se completa, o Criador e a criatura, há muito tempo, em um continente onde o Sol brilha sempre. Deus usa o sopro, nada mais que o ar, que sai do Ser Divino e passa ao ser mortal através de um beijo. Nesse instante divino, acontece o encontro do Espírito com a matéria.
Outro Natal importante é o nascimento de Maria, uma mulher que nasce Imaculada. Um Natal sem muitos alardes numa pequena aldeia, alegrou o coração de Ana e de Joaquim, uma filha nascida na velhice. Pelos pais é presenteada ao templo para servir ao Senhor. Esse foi outro momento sublime, perpassou as paredes do lar daqueles judeus tementes a Deus, os céus se alegraram novamente, pois Maria estava escolhida desde sempre, era um ser especial no pensamento de Deus. Outro Natal que pertence a Humanidade. A vida registra o Natal de Maria, a mãe de Deus e deixa-o para a história.
O grande Natal, o coroamento de tantos outros natais, preparativos à grande festa da Humanidade, é a concretização dos dois primeiros. O homem criado se voltou contra o próprio Deus e foi expulso do paraíso. Maria, a serva que diz: "Sim, faça-se em mim segundo a tua palavra" Lc 1,38. Jesus nasce em Belém. Tem a natureza toda por sua casa, emoldurando o nascimento do Filho de Deus que nasce estrangeiro na sua própria terra. Mas assim tinha que ser: "Deus é, Eu sou aquele que é" Ex 3,14. Ele não pertence a nem um povo, Ele pertence a todos. Outra vez, anjos presentes, é Deus o Criador se alegrando com o seu filho Jesus, Deus feito homem, o céu e a terra, Deus e os homens irmanados.
Os pastores que acolhem, é a humanidade que recebe o seu Senhor. Como no primeiro Natal, a Terra toda O acolheu. Se o nascimento tivesse sido restrito em um albergue ou no recôndito de um lar, seria apenas de alguns, mas é de todos os homens e mulheres. A vida em plenitude se faz presente naquela noite, o som com o canto, o movimento da própria noite, a estrela que aparece é o sinal. O universo com as suas luzes e os animais presentes se alegram com os homens simples que estavam trabalhando e sabiam observar a Natureza ao seu redor. Eles é que O acolheram, entenderam o recado.

 
     
 
Publicado na Antologia "Os mais belos Textos de Natal" - Edição 2008 - Novembro de 2008