Antologia
de Poetas Brasileiros Contemporâneos - Vol. 9

A lembrança
Não houve depois
Só um agora
Não houve passado, nem futuro,
foi presente.
Ah, nós dois...
Por tempos eu lhe amei
Mas você esteve ausente
E me vi com os olhos marejados
a espera incansável
Inconciliável
algo que não aprendi a definir
algo que não pude suprimir.
Em mim permaneceu
sentimento cultivado,
culto...
arraigado.
E senti a lembrança
intensamente
incidentemente
Ao longo do tempo
assaz persistente
Ao comprimir meus olhos
transformava-se o instante
e a imagem que eu tentava apagar
era cada vez mais constante
Que não é preciso
matéria ou fato
Vê que um gesto diz mais que um ato
Conhece que o amor não é ensaiado
Reflita-se em você - para sempre,
a eterna saudade que guardo.
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Antologia de Poetas
Brasileiros Contemporâneos - Vol. 10

Em compasso
Serenata à lua,
Expõe-te a pele nua
Toca a áurea tua
Espelha o charme da rua
Céu de azul extenso
Na cor da noite, brilho intenso
Estrelas são pequenas luzes
a florir no horizonte denso
Canção, enredo
Conto-te então um segredo...
Que os faróis refletem temas
São notas, inspiram poemas
Iluminam, trazem calma
e elevam no alvorecer,
nossas vidas, corpo e alma.
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Antologia de Poetas
Brasileiros Contemporâneos - Vol. 11

Por quê?
O limite está em nós
Em cada um
No todo
É tudo.
Mas vem um simples traço
e sem pedir licença
ultrapassa a linha
invade nosso espaço!
Cedemos aos contornos
Permitimos as manobras
Por quê?
Seres conformados?!
Silenciados...
Desabrigados.
E já adaptados
Construímos novo laço
Mas vem novamente
o traço e impõe passagem
Invade-nos a vida,
a casa, a raça...
E perplexos
Permitimos - PERMITIDOS!
Num ciclo absurdo envolvidos
E prosseguimos
Tecemos novos caminhos
Forçados,estreitos
Mas ainda assim
Criados,
tentados,
reelaborados.
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Antologia de Poetas
Brasileiros Contemporâneos - Vol. 12

Silêncio
falado
Caminho no escuro
Percurso nublado
Não vejo o futuro
Silêncio falado
Tons, canções
e flores
Dentro de mim,
lembranças e dores.
Em algum lugar,
o passado...
recortes de um ser,
à solidão atado.
As horas desfilam
Dias e noites se vão
Sentimentos me desafiam
Não há compreensão
A ausência
Um pretexto
É turbulência
O contexto
Sem perguntas
Nem respostas
Perdi no tempo a razão...
Fui utopia
Tornei-me saudade
Hoje sou desilusão.
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Antologia de Poetas
Brasileiros Contemporâneos - Vol. 15

Eu sei
Eu tentei
Fiquei sem resposta
Conectada ao mar
Perdida entre as encostas
Eu pensei
Nada pude dizer
Não me expressei
Ninguém podia saber
Eu fiquei
Sem limite, sem tempo e sem lugar.
E esperei
O que não consegui identificar
E nas ondas
A canção
No ir e vir da água
Uma doce ilusão
Eu brinquei
Com as horas,
Com a areia,
Com cada momento de solidão
E sei...
nada supera o que busca a imaginação.
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Antologia de Poetas
Brasileiros Contemporâneos - Vol. 22

Os outros
mesmos rostos
Como eu
Tantos outros sonham e esperam
Em presente, em pretérito
Com ou sem mérito,
Rebuscados ou singelos
Buscam entre tons e elos
Um lugar que seja seu.
Como eu,
Tantos outros alçam vôos nas letras,
Querem alcançar as nuvens
Desejam tocar as estrelas
Mas, de um momento ao outro,
descobrem-se com os pés no chão.
Como eu,
Tantos simplesmente existem
Às tormentas resistem,
Sem que a alma, no entanto,
Deixe de lado a poesia.
E, ousados - ousadia
Deitam nas linhas canção...
Fazem nascer da vida,
Ora, a sua mais bela versão.
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Livro de Ouro da
Poesia Brasileira
Contemporânea - Edição 2005

A espera
Sempre espera
Vezes serena, outras fera
Entre tempos és esfera,
Dos sentimentos, atmosfera
Esperam poucos
Esperam muitos
Alguns, loucos
Outros, mudos
Revela-se em prantos
Também em sorrisos
Estás nas expressões felizes,
Ou nos olhares omissos
Sabes ser bela,
faz-se etérea
Sabes ser triste,
solidão venera
Reflete as intenções,
porquês, ilusões
Caminhas nas dimensões, em eras
E embora sejam muitas as razões,
São incontáveis as esperas...
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Livro de Ouro da
Poesia Brasileira
Contemporânea - Edição 2006

Soma de
todos os eus
No rascunho de cada ontem
A soma de todos os eus
E os ventos que se despedem
Revelam os sonhos meus
Nas escolhas sinuosas
Não busco vias tortuosas
Não quero o medo profano
Acreditem!
Sou fugitiva de um espetáculo insano
No alvorecer que se segue
Faça-se a derradeira cena
E se uma escolha me acena
pouco importa o quanto errei
agora sei
ouça enquanto pode,
nem tudo se mede
nem tudo se pede....
viver me assusta
por isso, mesmo adulta
ainda sou criança
foi, falaram-me de esperança
e quis nesse todo,
ora, desenhar a vida de novo!
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