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Teresópolis / RJ Sou natureza Tua presa Com planícies e montanhas, Cerrados, ilhas e lagoas Na sedução tu não me ganhas Eu oferto e tu me doas Escalas os picos, passeias no vale Mapeias no ritmo do passacale Descortinas o véu Exibo meu céu Nadas em mim Exalo jasmim Deitas nas pedras A seiva medra Sorves nas fontes Gritas nos montes Ecoa num rio de paz Cavaleiro audaz És minha presa Sou tua natureza |
Rio de Janeiro / RJ Nascida da esperança de viver Brotaste em solo gelado Desejando somente crescer Rosa minha! Ainda que única És bela e fria... És frágil e dura... Quer olhar para sol Quer desabrochar Apenas sensibilizar Para poder transformar... Amordaçada pelo frio Sonha em se libertar Impedida pelo medo Vive somente o desejo |
| Sheilla
Liz Cecconello Curitiba / PR Os nove Chego na sombra da figueira. Mantenho as medidas do trampolim na cabeça. O Cabalista já me aguarda na escuridão. Reconheço sua silhueta, parece uma coruja fumegante. Trampolim. Não posso esquecer. Suas origens respousam na Idade Média, nas performances dos acrobatas de circo. O que preciso lembrar: comprimento de 5 metros, largura 3 e altura: 1. Era com esses números que eu havia sonhado e essa era a regra de ouro: jamais esquecer os números do sonho. Sou uma Sonhadora. Uma escolhida. O Cabalista se aproxima soturno. Traga o cigarro. Indago: -Tem um desse pra mim? Ele estende maço e fogo. Acendo. A fumaça se estica languidamente. Nicotina balança minhas veias. O Cabalista é frio, parece talhado em gelo. Pergunta zombeteiro e afiado: -Não tinha parado? -Depois do que sonhei essa noite, acredite... não é pra qualquer um. -Quer me contar? -Você não entenderia, é impossível ser descrito. -Tente. O Cabalista têm olhos cinzentos. Olhos de lobo e chuva. Eles me encaram agudos e diante meu silêncio prosseguem: -Sempre admirei você Sonhadora, dizem que não é fácil... encarar a noite escura da alma. -E eu nunca entendi você Cabalista. O que faz com os números? Ele repetiu minhas palavras: -Você não entenderia, é impossível ser descrito. A noite parece crua e gotas começam a cair. O Cabalista abaixa apoiando-se no tronco da figueira. Eu me protejo com o capuz da minha jaqueta. -E agora? Vamos procurar abrigo? -A árvore nos protejerá da chuva. Vamos ao que interessa. Quais são os números? Sempre que eu sonhava com números ligava para o Cabalista e marcávamos um encontro. Os números só podiam ser ditos pessoalmente e ele fazia questão de que fossem sempre ali, no palco da portentosa figueira. Eu queria um lugar mais no centro, um cafezinho ou pizza, quem sabe. -Por que nossos encontros são sempre aqui? Podíamos mudar de cenário, não? -Você já se colocou no lugar dessa árvore? Ela é centenária! Sempre esteve no mesmo cenário. Nunca se moveu, mas imagina quanta coisa ela viu mudar ao seu redor. Você não precisa sair do lugar para ver algo diferente. Já pensou nisso? Olho para os grossos galhos. Lembravam uma mão com dezenas de dedos. A chuva para e a árvore chora mais algumas gotas. Parece cansada. O Cabalista continua: -As coisas nunca são as mesmas menina. Por mais igual que pareçam, é uma equação que tende ao infinito. Ele acende mais um cigarro, dessa vez a fumaça rola estabanada. Pergunta entre um trago e outro: -E então? Os números? -531. Retira uma caderneta de couro pardacento do bolso. Anota o número cuidadosamente. -Ótimo guria... muito bom. Fico admirando a brancura das mãos dele. Sempre quis saber o motivo de nós dois sermos escolhidos. Qual o critério daquela seleção? O que nos tornava diferente dos outros? Nove pessoas. Fomos encontrados pelo Instrutor que ensinou a cada escolhido o que realizar. Nós, os Nove, éramos responsáveis pelo equilíbrio do mundo. Por que o Instrutor nos escolheu? Quando conheci o Instrutor achei que ele era louco, um pirado completo. Depois ele me mostrou a Essência e tudo mudou. Virou meu guru. Foi ele que me ensinou como percorrer a dimensão do sonho e capturar os números sagrados. Reclamo para o Cabalista minha recompensa por realizar aquele trabalho. -E então? Onde está? Eu preciso da Essência. -Calma... não é você que precisa dela. A Essência que precisa de você. Ele estende o pequeno receptáculo de ônix contendo o que há de melhor nesse mundo. A Essência. Como explicar algo assim? É como se Deus pudesse ser engarrafado. -O Instrutor disse que deve durar até a próxima lua nova. Me agarro ao frasco da forma mais delicada que posso. Abro a exótica tampa em formato de gota e cheiro o conteúdo místico. Imediatamente sinto a explosão de orgasmo potencializada alguns megatons. Minha consciência se dilata como uma grande onda e devora tudo ao redor. Toma conta do mundo. Sinto o choro dos inocentes. Ouço a risada mais bela do mundo. Vejo tudo que a figueira viveu. Cada folha que caiu. Cada suspiro dissipado. Depois o tudo deságua em nada numa fração de segundos. A riqueza inominável. O absoluto. Por um instante sou Deus. |
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Brasília / DF Silêncio Desacerto,
desconcerto e as palavras me abandonam |
Odyla
Paiva
Rio de Janeiro / RJ Chuva |
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Mauricio dos Santos Paranaguá / PR Meu vizinho, um lobisomem O dia transcorreu maravilhosamente bem. Como de costume corri pelo enorme espaço onde se localiza a casa de vovô José, bem ali, na Ilha dos Valadares, atravessando o Rio Itiberê. Somente pelo fato de atravessar o rio, nem parece que eu estou na mesma cidade, em Paranaguá. Fomos até a plantação de mandioca, colhemos todas as que estavam no ponto, levamos para a cobertura, descascamos, ralamos e colocamos em cestos para deixá-los em descanso no riozinho que passa próximo, uns cinquenta metros da casa. Para tirar o veneno. Quando a noite chegou todos nos aproximamos do forno onde a mandioca é torrada, virando farinha. Um local bem aconchegante, pois a noite já se fazia bastante fresca, devido à proximidade do final do verão, e a lua cheia, linda, clareava tudo em volta da casa de farinha. Meus pais, meus tios, meus avós em conversa animada estavam a trabalhar, e conversa vai, conversa vem, o meu avô começou a falar de um tal de “seu” Turíbio, que morou numa casa próxima, alguns anos atrás. – O Turíbio sempre saía à noite, para ir ali na venda do Maneco tomar uns tragos, e voltava logo para casa. Numa noite de lua cheia, o homem demorou um bocado para voltar, a mulher ficou preocupada, e resolveu sair para ver se ele não estava caído pelo caminho. Deparou com um cachorro preto, enorme! Deu meia volta e começou a correr feito doida de volta para casa, sendo alcançada pelo animal, já perto da porta. Ele deu uma bocanhada, alcançado a barra do seu vestido de “chita” vermelha. A mulher conseguiu trancar-se em casa. Depois de algum tempo, o Turíbio volta meio pálido, a mulher perguntou porque ele demorou? A resposta é que a prosa com os amigos estava boa. Ela falou do ataque sofrido pelo cão. Ele esboçou um sorriso, dizendo que isso era pura tolice. Ela viu os fiapos vermelhos presos em seus dentes, não teve dúvidas, ele era o tal. Começou a bolar uma maneira de livrar-se do infeliz. Ou deixá-lo, ou cozinhar o seu cérebro? Noutro dia, a casa estava fechada, nunca mais se ouviu falar do “seu” Turíbio e da esposa. Não preciso nem contar que naquela noite não consegui dormir. Qualquer barulhinho lá fora fazia com que até as minhas sobrancelhas ficassem arrepiadas. Não havia entendido bem a história, do porquê todos olhavam para mim e riam aos montões. Será que fiquei tão apavorado assim? Ficou estampado em meu rosto o desespero? Até hoje, depois de tantos anos, décadas, ainda lembro da história. E nem precisa ser noite de lua cheia. Vou vivendo a vida com a história do lobisomem na minha cabeça, sem medo ou receio, porque sei que meu avô era um grande contador de histórias. |
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Marta
Trevisol
Nem amor, nem sonhos. Tenho tudo, nada tenho. Entre as estações Chuvosas e ensolaradas Perdi meu amor, perdi para a vida. Deixei minha historia Marcada pelo sofrimento Marcada pela fama Numa noite chuvosa, com orgulho, Mágoa incontida, ciúme desmedido. Amor que sentia quente como o solo do sertão Seco como o deserto deixou o meu sentimento. Meu orgulho tomar a decisão Noite chuvosa vingança sentia. O sertão do meu coração Já não mais era seco. Lágrimas amargas rasgavam minha alma. Sob o peso de mim mesmo, medo e tristeza. Deixo meu corpo, depósito infeliz... Manchado de sangue Do amante minha amada. Triste e só, olhava do alto meu corpo. Depositado no piso molhado... Enfim, Foi o início de um infeliz reinício. De um amor sem sonho... |
Sheila
Assis
Rosa
orvalhada cor de ninfeta Rosa
cor de rosa sutileza Rosa
casta de saiotes de seda Rosa
com colar de esmeraldas |
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![]() José Luiz |
![]() Mª José |
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![]() Denise |
![]() Mario |
![]() Regina |
![]() Jadson |
![]() Oneide |
![]() Helena |
![]() Mª Helena |
![]() Morgana |
![]() Wilmar |
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