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Neri
França Fornari Bocchese
Pato
Branco / PR
Uma
semana daquelas!
Convite feito, pelo amigo do coração, telefonou e disse:
- Comprei uma casa no Alagado, e você e a sua família
vão ser meus hóspedes.
A data marcada, os preparativos realizados, sonhos vividos com antecipação,
porém uma semana de chuva, tudo adiado.
As crianças quase desejaram viver no deserto. Foram lembradas
pela Noii, se fosse deserto não haveria a chuva, mas também
não teria o rio.
- Ah! É mesmo falou a Giovanna.
No Alagado, com a Eduarda e o André Felipe, a cachorrinha Marli
e, brincar na água. É voltar à origem da vida,
viver no mato, uma aventura para as crianças.
Julho, férias e muito frio. Havia a viagem marcada há
tempo com o tio Cacá, iriam passar uns dias lá na tia
Elisabete, iria a Vovó Ivanir e a Gabriele. Uma viagem, além
de um passeio, seria passar uns dias especiais com a irmã,
a tia e a filha distante. Uma filha querida.
O Alagado, outra vez ficaria com a data em aberto.
As crianças, com um tempo maior de espera foram criando ilusões,
imaginando como seria dormir na beira do rio. E, pescar seria divertido?
- Noii!! Como que um rio ajunta tanta água?- Perguntou a Gi.
Lá foi uma aula de geografia dada com prazer, sem necessitar
de fazer chamada.
- O rio nasce pequeno um filete de água.
- Então é como a nascente que tem lá no sítio
da Vó Ivanir?
- Assim mesmo. Outros filetes vão se ajuntando, a gente chama
de afluente ou tributário, as águas aumentam. Como o
Brasil é um país tropical, chove bastante os rios são
alimentados.
-Credo Noii! Cadê a boca do rio. Exclamou a Gi!
- Ora, o rio recolheágua da chuva que escorre pelas barrancas.
Lá no Alagado onde vocês vão é o Rio Iguaçu,
um dos maiores do Paraná. Ele nasce pertinho de Curitiba e
vai abrindo caminho até chegar às lindas Cataratas e
logo depois despejar todo o manancial no Rio Paraná.
- Eu conheço as Cataratas e a cidade de Foz do Iguaçu.
Por isso é foz? Uma foz é um lugar onde o rio lança
as suas águas em outro tributário.
- Você é uma menina esperta. Muito inteligente. - Afirmou
a Nona.
- O Alagado do Iguaçu se formou porque foi feito uma represa
para se ter a Usina Hidrelétrica, assim as margens do rio invadiram
terras e muito mato ficou embaixo da água.
- A luz elétrica é necessária para a nossa civilização.
Mas a natureza e o equilíbrio do Meio Ambiente como ficam?
- Engraçado para gente ter uma coisa é preciso perder
outra. Para ir na tia Bete, não fomos no Alagado. - Filosofou
a criança.
A nossa Victória com seus quase três aninhos, pescava
na imaginação. Andava de barco, sem água. Ser
criança, tem muitas vantagens, se vive de forma real, mesmo
no imaginário.
- Oi Vivi, o que você vai fazer no rio?
- Vê o "pexe"! Tem bastante! São grandes.
Iguaçu, rio grande. Muita água. Não dá
para ir sozinha. -Estava bem instruída: Só com o papai.
- Outra coisa importante, - continuou a Nona com a sua aula de Geografia,
para ter água é preciso ter matas. Árvores nas
cabeceiras e nas margens do rio.
- Já sei, é a Mata Ciliar como ensinou a professora
Lair, lá no La Salle, num dia desses. Ela explicou: serve para
proteger o rio, não deixar entrar sujeira, que nem os cílios
dos olhos fazem.
Enfim, chegou a esperada semana do Alagado. A mãe Genoefa até
reclamou um pouco, "ficar todos esses dias sem televisão,
fazer o quê?"
Mesmo assim, estava ansiosa, passaria uma semana em companhia da amiga
querida e da afilhada, a Eduarda, fora presente no nome e na escolha
dos compadres. A preocupação era também com as
crianças, como cuidá-las o suficiente. Como estar atenta
a todo o instante.
- São sapecas e não tem medo de água, - disse
várias vezes - sobem por tudo. As árvores serão
convite as aventuras.
Logo ficou evidenciado era a preocupação, a responsabilidade
e não a falta da TV e da cidade.
Arrumar os víveres, não se esquecer do garrafão
de vinho do Nono, esse era especial. A roupa, o chapéu, seriam
quatro para levar e cuidar. Roupa de cama. Joguinhos para as crianças,
caso chovesse. E, claro o material de pesca. As caixas de isopor.
O fósforo, as meninas combinaram de cozinhar no fogo de chão,
cercado com pedras, assim como os tropeiros. O repelente e o protetor
solar já estavam guardados na mochila fazia um tempão.
Chegou o grande dia, sairiam antes do almoço para não
perderem tempo.
Os olhos brilhavam, até a voz estava mais maviosa. Naquela
manhã ninguém reclamou de nada. Pular cedo, da cama,
deixá-la arrumada, sem precisar mandar.
O amigo chegou. Fez a frente, os carros com as famílias felizes,
partiram.
Foi uma ventura. Andar de barco, remar, conviver com a natureza, uma
lição de vida para as crianças um estreitamento
de laços fraternos entre os compadres. Para os casais, renovar
a chama amorosa que os une e precisa constantemente de energia para
se manter acesa e crepitante.
As quatro crianças aproveitaram, todos os dias foram ensolarados.
A pesca foi abundante. As mulheres, com esmero mostraram os dotes
culinários.
A Gena esnobou com um prato especial, feito com os lambaris fresquinhos,
as verduras levadas, o vinho do Nono. Tudo cozidos na panela de pressão.
Uma delícia. Voltou feliz, realizada. Não há
ser humano que não goste de elogios. Pena, que muitas vezes
os economizamos em nossa vida de família.
Em casa, felizes não paravam de contar as façanhas vividas.
À noite, quando as luzes das casas refletiam nas águas,
o espetáculo era majestoso. As palavras amorosas brotavam com
naturalidade dos jovens casais. Sair com o barco a motor e percorrer
um trecho do rio com os pais dos filhos, amores escolhidos, eles galanteadores
e, seguros no volante se esmeraram, carinho inesquecível.
No regresso, a Noii perguntou para a Oi Vivi:
- Então você, gostou do passeio, dormiu no rio?
Ela, na inocência de criança, bem depressa respondeu:
- Hanhan. "Mimi" na cama do André Felipe!
Lições de vida para quem foi e para os que ficaram em
casa.
Passar uns dias diferentes faz bem para a convivência em família
e enaltecer a alma. Não é preciso muito para tentar
a felicidade,
Pescar no Alagado, boa sugestão!
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