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Maria do Carmo Marques Ramos
Tatuí / SP


A partida

 


É domingo, fim de tarde ... O Sol agoniza no horizonte, e meu coração de dor, como o Sol, também agoniza. Está se aproximando a hora mais doída do dia! Levá-lo até a estação, para mais uma vez dizer adeus.

Caminhamos a pé, até a estação ferroviária .Conversamos, atropelando as palavras, numa ânsia de falar. As palavras correndo mais que o pensamento, como se o tempo fosse se esgotar. Lá estavam os viajantes que seguiriam seus destinos.

Ao longe, ouve-se o trem apitar, anunciando que está chegando. Seu barulho me causa tristeza e pavor. Ele acelera meu coração e faz meu corpo tremer de inquietação. É o trem, o cavalo de aço, na estação chegando, com seu tropel ensurdecedor.

Piuí ...Piuí...Chic...Chac...Chic...Chac...

Na plataforma, ele vai encostando, parecendo um monstro assustador. Ele pára na estação. Pessoas agitadas andam, correm apressadas. É uma gritaria, uma confusão, uns entram, outros descem da máquina de ferro.

Ele entra no trem, amargurado, semblante entristecido, sentindo opresso o coração.
De repente, o trem apita uma, duas, três vezes ... entra em movimento e, lentamente, parte ... Na porta do trem, ele permanece olhando-me, pesaroso, sombrio e sua alegria sucumbe.

Continuo na estação quase vazia, triste e já saudosa. O trem partiu e levou minha alegria, deixando minha alma abatida e dolorosa. No trem em movimento, comovido, angustiado, as lágrimas seu rosto umedecem, el ,dá adeus com a mão abanando. Aos poucos, seu vulto querido desaparece. O trem leva-o embora mais uma vez ...

Piuí...Piuí...Chic...Chac...Chic...Chac...

Volto para casa a pé, fazendo o mesmo trajeto, só que agora, sozinha, mas ele voltará na próxima semana e, novamente, o trem o levará para longe de mim.

 
Autores Brasileiros do III Milênio- Edição Especial - Julho de 2009