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Ismar
Carpenter Becker
Rio
de Janeiro / RJ
Índio
quer apito
Lá pelo ano de 1500, um lusitano chamado Cabral chega ao Brasil,
pois estava entediado em Lisboa, prestes a pegar uma depressão.
Então, o rei D. João bacalhau III resolveu mandá-lo
descobrir o Brasil.
Chegando às terras dos papagaios, viu um povo de pele avermelhada,
nus em pelo, ao qual chamou de índios. Depois do choque cultural,
seguido de massacre, doenças, alcollismo, os brancos chamados
de "colonizadores", tomaram as terras dos índios,
que ficaram chupando o dedo, tornando-se assim osp rimeiros sem-terra,
contentando-se com quinquilharias ,espelhinhos, panelas, pentes e
batons.
Passam os séculos ,os índios continuam sofrendo agressões,
rodovias são construídas em suas terras, e também
hidrelétricas. Aos índios são oferecidos empréstimos
a juro baixo para comprar imóveis na selva, casas com ar condicionado,
e como são tutelados pelo Estado, não trabalham, ficam
endividados e acabam perdendo seus imóveis que foram leiloados
a um grupo de empresários do ramo turístico.
Revoltados com o processo expulsório, fecham usinas hidrelétricas
e rodovias, um absurdo ,segundo o governo, que acha que os índios
devem voltar para a oca e fabricar biju. Chama imediatamente a tropa
de choque que entra em ação baixando a borracha no lombo
dos sílvícolas, ao som da música carnavalesca
"índio quer apito, se no der pau vai comer".
A sociedade assiste passiva aos acontecimentos ,o que preocupa é
o pai que mata o filho, o aquecimento global; enquanto isso missionários
convertem os índios a nova religiões monoteístas.
Econtinua o embate, índios sem saúde, escola, sem terra,
explorados pelos garimpeiros. Para amenizar, o governo cria o bolsa-índio,
o vale-lenha, tapioca a um Real, cartão corporativo, baile
funk com índias grátis, ao som do MC Onça.
E segue a vida índigena, a mata desaparecendo, os rios secando,
a fauna sendo extinta e o governo pregando o neoliberalismo, apradinhando
o nepotismo, o mensalão, o povo trabalhando, pagando impostos
e no senado quem tem bigode é quem manda.
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