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Jacarecanga (1956) e Aragarças (1959): dois desafios para JK |
1 - Revolta de Jacarecanga: o primeiro teste de JK
A revolta de Jacarecanga ocorreu em 11 de fevereiro de 1956, duas semanas após a posse de JK.
Persistiam sérios focos de descontentamento entre os setores militares derrotados nas eleições de 11 de novembro.
Desse ressentimento nasceu a revolta iniciada pelo major-aviador Haroldo Veloso e o capitão-aviador José Chaves Lameirão. Estes acreditavam que os antigetulistas da Marinha do Exército só esperavam uma ocasião para pegar em armas contra o Governo.
Os rebeldes deixaram na redação da Tribuna da Imprensa um manifesto denunciando supostos entendimentos do Presidente com grupos financeiros internacionais para a entrega de petróleo e minerais estratégicos, e infiltração comunista nos postos-chaves militares, com a divisão nas Forças Armadas fomentada pelo Ministro da Guerra, general Lott.

Major Veloso e capitão Lameirão, na Base Aérea de Santarém, PAQ. Fevereiro de 1956.
Major Paulo Victor, um índio caiapó e major Veloso. Fevereiro de 1956.
A própria Aeronáutica, em nota oficial, reagiu com energia, apontando o movimento rebelde como uma "ação indisciplinada" de dois oficiais.
Os revoltosos dedicam sua insurreição à memória do major Vaz e voam para Santarém, no Pará, onde recebem a adesão de outro oficial, o major Paulo Victor, que fora combatê-los.
Eles dominam Jacarecanga, Santarém, Belterra, Itaituba e Cachimbo, com o auxílio de uns poucos caboclos e índios da região.
A 23 de fevereiro (12 dias depois) a rebelião é debelada. Juscelino substituiu o ministro Vasco Alves Secco pelo brigadeiro Henrique Fleiuss e confidenciou ao seu ministro da Justiça, Abelardo Jurema: "Não se governa sem mártires nem com caprichos". A rápida anistia significava que a crise fora absorvida.

Forças legais que combateram os rebeldes de Jacarecanga
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A rebelião de Aragarças, iniciada em 3 de dezembro de 1959, foi a reedição, igualmente fracassada, do levante de Jacarecanga. Liderada pelos mesmos oficiais da FAB, identificados com a corrente mais radical do lacerdismo, como Haroldo Veloso e Burnier. Aragarças teve por estopim a indignação com o fato de Jânio Quadros haver renunciado à candidatura presidencial, postulada pelas oposições. Os rebeldes denunciavam também "a conspiração comunista em marcha", que seria inspirada pelo então governador gaúcho Leonel Brizola. Os oficiais prometiam, ainda, "paredão para os que tripudiavam sobre a miséria do povo". Não conseguiram comover, sequer, seus principais aliados. O próprio Lacerda, instado a apoiar o levante, preferiu denunciá-los. O movimento, que contou com a participação de apenas 10 oficiais da Aeronáutica, 3 do Exército e uns poucos civis, iniciou-se com o seqüestro de um avião - o primeiro no país - e foi debelado em apenas 36 horas. Tal como acontecera em Jacarecanga, JK fez uso da sua habilidade conciliatória e anistiou os rebeldes, aplicando tão-somente as punições previstas no código de disciplina militar. |
![]() Rebeldes de Aragarças presos por tropas federais. ![]() Rebeldes entrincheirados em Aragarças. À direita, o major Veloso. |