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Maria
do Socorro Bernardes Pereira
Juazeiro
/ BA
Dor
& glória
Tentei levantar e senti a dor, já era minha conhecida, porém,
naquele dia, veio mais intensa, aguda. Eu suava frio e minha mente
tentava dominá-la. Ali sozinha eu e ela lutávamos.
Minha pressão parecia baixar, lembrei-me da minha hipotensão...
A dor faz parte da minha mente, naquele êxtase e devaneios do
meu pensamento ainda conseguia sorrir.
Seria minha fortaleza ou quem sabe minha fraqueza, lutar contra o
fim. Questionei-me em segundos sobre o fim...
Sabia era apenas o começo de uma luta incessante. Alguém
abria a porta e a minha dor como por encanto acabara de sair por ela,
deixava em mim um semblante pálido e a falta de cor em meus
lábios.
Meu carrasco ignorando a minha dor sinônimo da minha palidez,
com cruel prazer ordenava:
- Precisamos entregar este trabalho urgente, nem sei que horas vamos
terminá-lo.
Sentava-me, a dor retornava e a cada hora que passava se tornava intensa,
vil companheira, me pregava peças, brincava com meu corpo e
meus sentidos. Às vezes me fazia desfalecer ao ponto de quase
desmaiar.
Já não sabia a hora da sua chegada, mas esperava, ela
viria, como também esperava os carrascos que ironicamente iam
comentar:
- Já está com a dor novamente?
Sim, a minha companheira voltara me arrebatava, mas pra que temer
eu teria que superá-la para viver. A palavra superação
foi por mim compreendida, não pelo sentido abstrato, mas pelo
sentido prático, onde cada vez mais sentia-me guerreira, as
vezes desarmada e desprovida numa batalha desigual. Onde vencer a
dor seria minha glória, aos meus carrascos a minha vitória,
tantas seriam as batalhas que muitas vezes travaria contra mim mesma.
Dor e Glória pareciam palavras antagônicas, porém,
a dor é necessária e sua aceitação nos
eleva à condição humana, divindade identificada
neste momento, pela força e fé existente em mim.
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