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Valéria
Victorino Valle
Anápolis
/ GO
Doce
prazer
Como todos os seres humanos busco o fator essencial da existência:
o prazer. O prazer de sentir, de viver, de vencer e de amar . E nessa
eterna busca, a vitória a qualquer preço integra-se
aos meus desejos mais íntimos. Sinto uma grandiosa preocupação
em dominar as palavras para superar dores e males que afligem o outro;
e também uma imensa inquietação no que diz respeito
a superar limites do eu. Balbucio:
- Ainda não tenho a palavra...
O caminho integrador entre o eu e outro é pedregulho pontiagudo
e o sabor da vitória é desconhecido. Apenas cultivo
os pequenos grandes momentos simbólicos que me presenteiam
com reflexões das experiências vividas: emoções
e ações entre o sido, ser e sendo infinitamente. Afirmo:
- Ainda por fazer a palavra ...
O desejo de voz é intenso e é inconscientemente traçado
por estranhos recalques e repleto de sombras. O poder da palavra é
ilusoriamente conquistado passo a passo, mesclado de lágrimas
de alegria e de sangue das feridas dilaceradas. E no lúdico
da ilusão e da persistência, emerge mais vencidos do
que vencedores. Admito:
- Ainda não é palavra...
Embalado no sutil jogo da força viva, da poderosa palavra.
Assumo:
- Ainda é a palavra...
Como vencedor ao atingir a vitória almejada, traço novas
metas, sentindo muitas saudades da inútil batalha outrora travada,
pois já foi vivenciado por outros que lutar com palavras é
a luta mais árdua e vã. Reafirmo:
- Ainda porvir a palavra ...
Como vencido, agora filtro o que houve de melhor na batalha perdida
e aproveito a essência do velho e transformo na fórmula
mágica do novo. Se não consigo criar... amalgamo.Constato:
- Ainda não sou palavra...
E vencido, reavivo e ressurjo das raízes, e (re) conheço
o gosto de uma nova saudade e de uma próxima luta: dois prazeres
indescritíveis. Rumino:
- Ainda a doce e inconquistável palavra...
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