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Poesia publicada na Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - Vol. 83 - Novembro de 2011
Maria Olina Cardoso Feijó
Pelotas / RS

 

Goela tão singela



Quando bate à minha porta eu desconjuro,
quando traz com juros o que devo pagar.
Já te fiz tantas promessas
que me tragas bem depressa notícias da guerra.

Tuas mãos sempre vazias
angustiam a saliva mal cuspida de tanto horror passar.
O que faço? Oh! Carteiro
Que babujas meu carreteiro que faço com pesar.

Amanhã será outro dia de panelas tão vazias, que vivem a clamar.
Desde que o homem inventou a guerra nada mais passou na goela
da família que reclama sem ouvido a escutar.

A tal guerra não acaba, já não tenho mais a goela pra poder chorar...
A metralha malfadada
Cai no ouro, cai no poço.
Cai no povo, cai no olho
do cego que... Não pode enxergar.

Oh! Carteiro vá depressa
numa noite tão esperta
que a goela tão singela não... pode secar.

 


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