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Poesia publicada na Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - Vol. 82 - Outubro de 2011
João Francisco Lins Maciel Borges
Belém / PA

 

Bandidos engravatados


A corrupção se tornou instituição nacional
Nosso país fede como um cadáver putrefato
Assaltantes sem timidez engordando seus bens
“ Societas sceleris” dos bandidos engravatados.
Os pobres probos são lixo nas filas dos hospitais
Os miseráveis famintos alimentam-se de vermes
Magistrados íntegros são covardemente executados
Benesses sem fim só para os bandidos engravatados.
O salário-mínimo é risível, ridículo e minguado
A educação só existe para os ricos privilegiados
A repartição da renda não chega aos trabalhadores
Encalha nos bolsos dos bandidos engravatados.
Os agentes federais não dão trégua aos canalhas
Os juízes usam a razão e a legislação vigente
Mas os códigos são protecionistas e ultrapassados
Voltados apenas para os bandidos engravatados.
Não somos porcos para chafurdar em torpeza
Exigimos que os brasileiros honestos e honrados
Façam uma faxina completa de toda imundícia
E que mofem na cadeia os bandidos engravatados.


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