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Letícia Faria Conde
Bauru / SP

 

Uma noite na taverna



Quantas festas saturnais!
Desejar-mas-ia todas
Uma a uma em teu colo
Como ser astuto que se põe por entre a relva
De teus pelos nus
Defronte pálido ao tomar-se por susto
De vinho copos de seda preenchidos.
À lua bradaria
Essas coisas todas que o corpo tomam-me
Uma taverna e muita orgia
Para reviver o poeta que há em mim.
Ah que esbravejo a lividez de tua boca
Como quem do peito o cospe
Todo o desejo que habita aqui
Ah que de tua tez me foge
Toda a figura que me tinha de ti
Como que se tua própria máscara te encobrisse
E te desenrolasse por entre minha busca.
Matar-me-iam as horas de tortura
Não fosse tuas mãos frias por sobre as minhas
Meu ser por sob tua alvura
Alvorada de sensualidade que não tinha fim.
Antropofagia, necrofilia, clausura
Tudo para ter-te sempre dentro de mim.