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São
Paulo / SP
Nos
braços do vento
Tirou-me
do chão, acalentou-me;
Fez de mim uma nobre erudita
Embalou meu sono; aninhou-me;
Cobriu-me com pluma e bela fita,
Acariciou mi'a face chorosa
E secou as lágrimas quentes
Que insistiam em murchar a rosa.
Limpou as pétalas doentes,
Enfrentou os espinhos doloridos
Deitou na neve o próprio sangue
Não preocupou-se com os rugidos
Lançou-se na batalha, mesmo exangue,
E sua brisa beijou minha tez
Tantas carícias e tanta brandura
Ceifou a minha insensatez:
Aflorou mi'a maior candura.
Este vento bondoso e morno,
Lufada de perfume gracioso,
Vestiu-me co'melhor adorno,
Entorpeceu-me em suspiro oloroso.
E é assim o amor eternal:
Chega; supreende; compreende;
Embala e beija em ternura augustal
E, com bravura, à alma ascende.
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