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Zuleide Valente
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Santo André / SP

Mergulho

 

Flutuas assim, livre e leve,
Bailando nas águas do viver
Qual anjo volátil e alado,
Mergulhando no rio da vida
E eu, sentada em suas margens,
Limito-me a observar o teu bailado
A traiçoeira, ágil e forte correnteza
Em que, certamente, eu me afogaria
Não te impõe nenhum empecilho,
Pois és muito, muito, mais do que ela
Tens no amor a fonte de tua força,
Deslizas soberana, num vai e vem confiante,
Como se foras uma canoa a dormir
Nos braços de um calmo e terno lago
Suavemente banhado pela doce luz do luar
Às vezes, coloco lentamente meus pés,
Nas vívidas águas desse rio,
E seu movimento me entontece...
E sinto a corrente viva te carregar
Para os mares do sonho
Não sou peixe... Nem sei nadar...
Nem bebo da tua fonte, para poder voar...
Sentada nas bordas do rio de tua vida
Meus olhos, apenas, limitam-se a te olhar
E ajudam a aumentar o volume
Das águas que o rio carrega
Para dentro do amplo ventre do mar

 

 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 63 - Abril / 2010