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Passos
/ MG
Chuva
e estrada
Há anos caminho em uma estrada,
quase deserta,
cortada na terra, pisoteada nos anos,
mas que ainda levanta poeira, que gruda na face e no corpo suado,
e que mostra quem sou, e que já estou bem cansado...
Por vezes, gotas, caídas do céu, mitigam o calor,
refrigeram o corpo, mas transformam, em lodo, a poeira grudada,
que esconde meu rosto, que esconde minha idade.
Mas, lavando e grudando, as gotas celestes formam poças no
chão,
onde meu enodoado reflexo mostra o recado,
há muito escutado: olha sua idade!
Já velho, quase imprestável pra tudo,
sequer presto pra ser amigo, jamais sou convidado
e, por isso, sigo sozinho numa busca eterna...
O que busco? Só uma coisa: carinho.
O carinho do abraço amigo, do aperto forte de mão,
do sorriso rasgado, que não vejo nesse chão,
que não vi na poeira dos anos andados, e que não vejo
ao longe,
lá no fim dessa estrada, já tão perto chegando...
Busca inútil? Valeu a poeira?
Perguntem à chuva, já não sei responder!
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