| Três
Corações / MG
Despedaço
Já
não mais sei
se esta porta que ora abro
é para que tu entres
ou para que eu saia.
Só tenho comigo
a certeza da dúvida,
de mãos trêmulas na fechadura
de olhos no chão sem te fitar
de minha boca entreaberta
de meus pés inertes.
Não me reconheço.
Enquanto, ao contrário de minha figura,
falas a não poder mais
gesticulas exageradamente
olhas para o teto e as paredes
serpenteias por entre os móveis
num vai e vem ridículo.
Não te reconheço.
Se havia paixão, acabou.
Se havia amor, se foi.
Sobraram os momentos felizes ou tristes,
juntos.
Não nos reconheço.
E num raro momento de coragem
ergo minhas mãos e suplico que pare.
Olho-te nos olhos espantados pela última vez
e sem mais nada dizer
me retiro,
antes que brote
a primeira lágrima.
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