| Ponta
Grossa / PR
O
portador
Agora
que vês, que o mundo é uma selva:
que o sangue é rasteado pelo predador,
deixando carcaças de vida na relva.
Agora que vês! Do que tu és portador?
Quando a injustiça abre um sepulcro nos sonhos,
e as almas cansadas são presas da dor.
Vem o embuste do mundo, em choros risonhos,
trazendo a morte em falsa moeda em fulgor.
Vês! Que há tantos cegos nesta escuridão,
contando o peso do ouro ao preço dos pães.
E há pó na boca, dos famintos no chão,
anelados pelas correntes dos cães.
E agora que vês, a descrença da luz!
O amor e a vida se tornaram ficções.
Levaram às cinzas as tábuas da cruz,
queimaram pelo gelo dos corações.
E agora que vês! Do que tu és portador?
Dos olhos da águia, que caçam frágeis vidas,
ou da rosa que exala néctar de amor?
O que buscas: as flores, ou as feridas?
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