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Marlene Edir Severino de Castro
Antologia on line

Itajaí / SC

Além do quintal

 

Vai além do quintal,
da cor do dia,
se chove ou faz sol,
se primavera ou verão,
independe da estação.

Um pouco mais à frente,
além da roupa que cobre o corpo,
um pouco além da pele,
veias, artérias,
da distância que separa, da vida
que subtrai, acrescenta,
ou do tempo de vida no planeta.

Além, vai um pouco além
do que se fala,
murmura, geme, ou escreve,
na inútil tentativa de buscar a palavra certa,
nomear sentimento independente de gestos,
abraços, afagos,
assexuado (ou não)
não importa, é mais além.

Vai além, da palavra expressada,
inútil conceituar.
Traz o veneno e o antídoto
– é mínimo e imensidão
depende do ponto de vista,
varia com a forma de olhar.


 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 63 - Abril / 2010