Regulamentos Como publicar Lançamentos Quem somos Edições anteriores Como adquirir Entrevistas

Marilena Chigueko Taba Watanabe
Antologia on line

Brasília / DF

Matéria-prima da poesia

 

Na aldeia global ficamos todos parecidos.
Obedece-se ao mesmo ritual.
Clones plastificados. Soldados em marcha.
Produtos em códigos de barra.
Rotulados, codificados.

Quero a outra margem da história.
Caminhar por fora.
Trilhar caminhos incertos. Mundos desertos.
E nessas andanças, como andarilho,
Sair dos trilhos.

Quero armar meu próprio circo:
Palhaços tristes sem máscaras no rosto,
Malabaristas da vida, contorcionistas,
Feras indomadas fora das jaulas,
Desequilibrados na corda bamba.
Neles encontrar motivo para me tirar o siso
E estampar meu riso.

Quero o lado incerto. O inverso.
O grito dos inocentes, os horrores,
A utopia dos sonhadores,
O rosto invisível dos sofredores:
Olhos que querem ver,
Pés que querem andar,
Asas que querem voar.

Quero o cotidiano das coisas simples:
A folha murcha, a pedra bruta,
A pálida lua, a terra nua, a vida crua.
Matéria orgânica que pulsa, que grita.
Transformar tudo em poesia.
Pura arte da magia. Pura alquimia!

 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 63 - Abril / 2010