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Norbert Padilha Heinz
Guarapuava / PR

 


Sociometabolismo

 

Milhões de sinapses, um único gesto de malícia...
E as suprarrenais gotejam todo o produto de seu ofício
Jorrando no sangue um avassalador êxtase de delícia
Doçura adornada com vestígios de efeito suplício.

Mas ninguém calcula probabilidades em meio a carícias
“Que seja eterno enquanto dure”, independente do sacrifício.
Afinal, viver intensamente não requer planos nem perícias.
Admita que ter alguém ao lado é alimentar só mais um vício.

E o amanhã pode ser uma transa de amor e selvageria
Com um pôr do sol radiante versado em coro poético.
Ou pode ser um fim cheio de arrependimento e melancolia
Com uma chuva fria nublando o pensamento sintético.

E todo depois de amanhã faz a mesma pergunta apática:
– Valeu a pena arriscar tanto pelo simples euforismo?
E ainda assim pulsa uma orgânica resposta dogmática:
– A vida, amigos, é um constante sociometabolismo!

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 62 - Março / 2010