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Jonathas Lima do Nascimento
São Paulo / SP

 


Milonga de um anjo

 

Não há nada mais triste do que desvanecer
Da vida, ou, dela desistir

São sonhos
Avistar crianças correndo livres pelas ruas
Girando como um carrossel no meio da Praça
Jogando bola descalças no asfalto duro
Imaginando ser aquele
Um jogo no Maracanã
Em uma noite decisiva

Veem de lá também o som agudo de violinos chorando
Em um entardecer gélido de inverno
O crepúsculo dos anjos
Dos pequenos anjinhos gargalhando de alegria

Ah! Música!
Tu me transportas para tantos outros lugares
Donde jamais deveria ter saído
Para bem adiante daqui
Desta prisão
Sem jaulas
Nem trancas

Mas como é triste o desvanecer de uma vida
Inteira,
Metade,
Menos que isso,
Uma criança apenas,

Que como último suspiro, olha para nós e sorri.
É um anjo preparando suas asas
Para um voo distante, bem longe...
E que tarde já sabemos ser:
Eterno.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 62 - Março / 2010