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Marilena Chigueko Taba Watanabe
Brasília / DF

 


Esfinge

 

Se me quiseres conhecer inteira,
Tenta me virar do avesso.
Não olhes para o raso dos olhos.
É somente aparência.
Atravessa a ponte
Que vai levar-te longe.

Não olhes para a superfície calma,
Qual lago na planície.
Joga-te no rio caudaloso.
Atira-te na correnteza.
Tenhas a coragem de mergulhar
Nas águas profundas da incerteza.

Não olhes para o espelho das águas.
É pura ilusão refletida.
Mergulha no fundo da minha alma.
É lá que se encontram os monstros,
Meus medos, meus sonhos loucos.
No lugar mais recôndito.

É lá que habita o mistério,
Insondável, imponderável.
Um mundo a ser desbravado.
É lá que mora a esfinge enigmática.
Um misto de mulher e sereia
Pedindo para ser decifrada.

E mesmo que tu a encontres,
Ela não se revelará por completo.
A esfinge tem muitas faces.
De mil camadas se reveste.
E tu te deixarás seduzir totalmente
Pelos encantos de seus disfarces.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 62 - Março / 2010