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Jadson Simões
Aracaju / SE

 


Retrato em 3x4

 

Se o sertão fosse por certo cuidado
Não teria desânimo, aflição,
Sertanejo deixando o amado chão,
Onde foi pela mãe e pai criado.
Não teria um sertão penalizado
Com criança em estado deprimente,
Deplorável futuro no presente
Pra deleite de muitos poderosos,
Desumanos, verdugos, mentirosos,
"Coronéis" d´um nordeste dependente.

Não teria panela seca, pobre
Implorando "favores" sem direito,
"Coronéis" o tratando sem respeito,
Porque têm na algibeira muito cobre.
Não revelam o que o juízo encobre
Ao enganar quem trabalha e é decente,
Sertanejo será "sempre indigente"
Pra deleite da classe inoperante,
Senhoril de gravata e dominante,
Num sertão que não é independente.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 62 - Março / 2010