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Eliane Maria Vani Ortega
Regente Feijó / SP

 


Farsa

 

Como é sentir dor?
Não consigo sentir.
Fujo.
Quando sinto a dor, no corpo ou na alma,
digo que não sinto.
Gosto da picada da injeção.
Dor conhecida não me assusta.
Que espetacular!
Sou a mulher maravilha.
Sou imune a dor.
Não!
Sou uma farsa.
Um blefe.
Temo tanto a dor,
que inventei em algum lugar de mim,
que ela não me atinge.
Há partes do meu ser que não acreditam nisso.
Se rebelam.
Sabem da minha farsa.
Não é possível mentir para todo o meu ser.
Queria que fosse possível.
Queria mesmo é que não existisse dor alguma.
Nem as do corpo.
Nem as da alma.
Assim, não precisaria ser uma farsa.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 62 - Março / 2010