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Larissa
Nascimento Sátiro
Feira de Santana / BA
Entrelinhas
Eu queria construir um texto sem mim.
Comecei assim, meio por acaso.
De caso pensado tentei me esconder.
Aqui e acolá meu ego danado
Da cor de um pecado que só se vê na tela em branco,
Eclodia, nascia, germinava...
Ah! Mas se soubesse o quanto eu dava
Ou daria para que não viesse; pra que não se mostrasse,
pra que não se dissesse... esse ego doce, triste e louco.
Eu só queria um pouco de privacidade.
Mas nas entrelinhas dessa vida curta
Que se estende insana sobre a folha limpa
Ainda que tentasse camuflar minha alma
Ela se mostrava em cada linha
Que eu não escrevia, mas podia ler toda.
Inteira me mostrei de margem a margem.
À margem dessa hipocrisia leve
Que abrange e tange a alma do poeta
Na agonia breve de escrever-se intenso.
E por um momento fingi que podia
Não ser eu em cada palavra que escrevia.
Um ciclo que se fecha é como uma flecha lançada
É como uma bala perdida
Que pode te atingir ou pode dar em nada.
Isso inspira o poeta a escrever sobre si
Fingindo que fala do ano que finda.
Da vida que finda, nessa roda viva infinda.
Nessas entrelinhas que fiam e desafiam nossa coragem
De sermos novos, de sermos alvos
De sermos todo, de sermos parte.
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