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Victor Jerónimo
Recife / PE

 

O varredor

 

Homens que vivem no anonimato
Limpando o sujo da humanidade,
Trabalham de noite pró-patronato
De dia lavam o corpo com docilidade.

São homens simples ganhando o pão
Procurando com honradez limpar o chão,
Das sujidades impróprias dos cidadãos
Que não têm limpeza nem educação.

Passamos por eles de fugida
Não vá a vassoura sujar o fato,
Que por compra nos foi concedida
Numa loja do bairro a contrato.

Para eles não há a coragem de olhar
Não vá a nossa visão turvar,
Ou na sujidade encontrar
Um espelho nosso a caricaturar.

Varre que varre o varredor
As angústias das almas pecadoras,
Os desgostos das noites desgraçadas
O sangue vertido e assustador.

E a noite dá lugar à aurora
Os raios de luz acordam a cidade,
Os fantasmas fogem, vão embora
E as vassouras fogem da barbaridade.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 61 - Fevereiro / 2010